Anarquimo

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Entrevista à Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

A Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) é uma organização específica anarquista da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Fundada no dia 30 de agosto de 2003, a FARJ identifica suas origens na atuação de militantes como Ideal Peres (1925-1995), seu pai Juan Perez Bouzas (ou João Peres) (1899-1958), José Oiticica (1882-1957) entre outros. Também possui referências nas organizações políticas como a Aliança Anarquista, fundada em 1918, e o Partido Comunista libertário, fundado em 1919 (não confundir com o Partido Comunista reformista e eleitoral fundado em 1922). Possui também referências históricas nos sindicatos influenciados pelos anarquistas no início do século XX, como a Federação Operária do Rio de Janeiro (FORJ), fundada em 1906, em todo o caminho de busca do “vetor social do anarquismo” das décadas de 40, 50, e nas atividades pós-ditadura militar. 

Realizada por Jonathan Payn
(Frente Anarquista Comunista Zabalaza – ZACF, África do Sul)

Agosto a outubro de 2010

 
Jonathan (Jon): Para os leitores não familiarizados com o conceito de dualismo organizacional, vocês poderiam explicar por que a necessidade de construir uma organização política anarquista no Rio de Janeiro? E que tipo de processo que vocês tiveram que atravessar para chegar a essa conclusão e para formar a FARJ?
 
Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ): O termo dualismo organizacional, como se utiliza em inglês (organizational dualism) serve para explicar a concepção de organização que defendemos, ou o que classicamente se chamou da discussão entre “partido e movimento de massas”. Em suma, nossa tradição especifista, tem suas raízes em Bakunin, Malatesta, Dielo Truda, Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e outros militantes/organizações que defenderam essa diferenciação entre os níveis de organização. Ou seja, um nível amplo que chamamos de “nível social” que é composto pelos movimentos populares e o que chamamos de “nível político” que é composto dos militantes anarquistas que se agrupam sob bases políticas e ideológicas definidas. 

Esse modelo baseia-se em algumas posições: de que os movimentos populares não podem estar dentro de um campo ideológico definido – e, nesse aspecto, nos diferenciamos dos anarco-sindicalistas, por exemplo; que eles devem se organizar em torno das necessidades (terra, teto, emprego, etc.) agregando amplos setores do povo. Esse é o nível social ou dos movimentos de massa, conforme se chamou historicamente. O modelo também sustenta que para o trabalho nos movimentos, não basta estarmos dissolvidos, ainda que nos reconhecendo como anarquistas, dentro deles. É necessário que estejamos organizados, constituindo uma força social significativa que nos facilitará a promoção de nosso programa e também da defesa dos ataques de adversários que possuem outros programas. No entanto, deve-se ter em mente que não defendemos que se participe de um ou outro nível; os anarquistas também são trabalhadores e fazem parte desse amplo conjunto que chamamos classes exploradas e, portanto, eles se organizam, enquanto classe, nos movimentos sociais. Ainda assim, como esse nível de organização possui suas limitações, os anarquistas também se organizam no nível político, enquanto anarquistas, como forma de articular suas idéias e trabalhos. 

A chamada organização específica anarquista não é nenhuma novidade no movimento anarquista. Suas origens estão na própria militância de Bakunin no seio da Primeira Internacional com a formação da Aliança da Democracia Socialista em 1868. Malatesta, desenvolvendo a tese da minoria ativa de Bakunin, também pensou em algo semelhante. Da mesma forma os russos exilados do Dielo Truda e a FAU, entre tantos outros. Este agrupamento específico de revolucionários antiautoritários baseia-se nas posições sobre os horizontes (objetivos), estratégias e táticas comuns. Ou seja, a organização específica anarquista não é nenhuma “invenção” recente, mas possui sua trajetória na consolidação do próprio anarquismo enquanto uma ferramenta revolucionária, remontando à atuação de Bakunin. 

No desenrolar histórico do movimento anarquista, esta posição foi preterida em diversos países em detrimento de uma posição que dizia que o “sindicalismo” (que abarcava o conjunto dos movimentos sociais) se bastava. Para nós não. Acreditamos que o dever da organização específica anarquista, o que Malatesta chamou de “partido” anarquista, é articular as forças dos anarquistas em torno de uma proposta em comum e estimular que os movimentos sociais avancem cada vez mais para além das suas reivindicações, podendo forjar as bases de uma transformação revolucionária. 

É importante frisar que o dualismo organizacional não pressupõe uma relação de subordinação ou hierarquia entre as duas instâncias mencionadas. Na compreensão do anarquismo, a organização específica anarquista e os movimentos sociais são complementares. A relação da organização específica anarquista pressupõe uma relação ética e horizontal, que implica não haver relação de hierarquia nem de domínio sobre as instâncias que esta participa. 

No Rio de Janeiro, os chamados anarquistas organizacionistas tentaram fundar organizações específicas anarquistas duas vezes; mas a repressão adiou seu projeto. Esses companheiros intuíam que o refluxo do sindicalismo revolucionário poderia também condenar o anarquismo. E foi exatamente o que ocorreu. O sindicalismo não se “bastou” e com o esvaziamento do sindicalismo revolucionário, o anarquismo entrou em crise, já na década de 30. Na década de 40 e 50, os companheiros do Rio de Janeiro (e também de São Paulo) fundam suas organizações específicas, mas estão completamente isolados dos movimentos sociais e se organizam para reverter este quadro. 

Na década de 60, o golpe militar e as condições do movimento anarquista postergaram o projeto da organização específica anarquista no Rio de Janeiro. Com o movimento completamente destroçado pelos anos da ditadura, as décadas de 80 e 90 foram décadas de aglutinação de novos e velhos militantes, feita principalmente pelo trabalho incansável e paciente de Ideal Peres. Era hora não só de retomar velhos debates, mas também as experiências de luta importantes que os anarquistas empreenderam, mesmo que não necessariamente agrupados em torno de uma estratégia comum (ocupações, grupos de educação popular, presença em sindicatos, etc). 

No início de 2001, entendemos que era o momento de dar um salto qualitativo, saindo do modelo de “centros de cultura” em torno dos quais vínhamos nos organizando desde os anos 1980 e conformar uma organização política mais adequada para o trabalho com os movimentos. Isso vinha se tornando cada vez mais evidente; era o caminho que deveríamos seguir. Tínhamos algumas experiências com trabalho social e com a decisão de que o anarquismo deveria ter por função impulsionar as lutas populares tornou-se evidente que deveríamos buscar algo com mais organicidade, com mais coesão, enfim, um instrumento que permitisse aprofundar o trabalho da maneira que se mostrava necessária. 

Foi então que diversos militantes do movimento anarquista no Rio de Janeiro se reuniram com a intenção de discutir a proposta de fundar uma organização. Eles já tinham certa experiência na militância social, mas faltava discutir qual seria o nosso modelo de organização. Um dos grupos se retirou do processo e resolveu fazer suas próprias discussões separadamente. Posteriormente fundaram a Federação Anarquista Insurreição, que depois se chamou UNIPA (União Popular Anarquista). O grupo que permaneceu e continuou com as discussões constituiu a FARJ em 2003. É importante ressaltar que a FARJ foi conseqüência de um acúmulo de no mínimo uma década anterior, de presença de anarquistas em diversos movimentos sociais no estado do Rio de Janeiro. 

Jon: Como vocês vêem seu papel – o papel da organização específica anarquista em relação aos movimentos sociais?
 
FARJ: O papel da organização específica anarquista é atuar como um catalisador das lutas sociais. Não acreditamos que as organizações políticas devam guiar as lutas ou dirigi-las, como reza a cartilha do marxismo-leninismo. A concepção de minoria ativa de Bakunin nos é muito grata neste sentido. A minoria ativa não impõe, não domina, não estabelece relações de hierarquia ou de mando dentro dos movimentos sociais. 

O papel da organização específica anarquista nos movimentos sociais também não é de ir a reboque de todas as posições dos movimentos que integra, mas de difundir e influenciar os movimentos com práticas libertárias (ação direta, autonomia, autogestão, etc), sem “doutrinarismos”. 

Isto implica uma enorme responsabilidade e pressupõe uma relação ética com estes movimentos. Isto também nos conduz ao inevitável papel de contribuirmos com a luta contra qualquer tipo de aparelhamento dos movimentos sociais, combatendo a burocracia, estimulando a organização interna do movimento, e trabalhar para que os movimentos caminhem sempre com suas próprias pernas. 


Baixe o Programa da FARJ:  



domingo, 5 de junho de 2011

do Chile: Informação atualizada sobre o que acontece com Luciano Pitronello

Comunicado: 
Luciano Pitronello

 
Luciano Pitronello [conhecido também como Tortuga, Tartaruga] foi transferido no dia de ontem (2), com risco de vida, desde a Posta Central até a Clínica Indisa, na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), que é mantida sob constante vigilância da polícia. Luciano recebeu o apoio de algumas pessoas que vieram para o hospital antes dele ser transferido, gritando algumas palavras de ordem e mantendo o clima de tensão devido à presença da polícia. 
 
Tortuga ainda permanece em coma induzido e a sua família pediu expressamente que não se entregue nenhum tipo de informação à imprensa. 
 
A informação do seu estado de saúde é reservada, a clínica é proibida de falar sobre o assunto. Sabemos que, para além da amputação das mãos, ele teria realizado um exame de córneas, que respondeu de forma positiva e com indícios que possa não existir perda total da visão. Além das queimaduras em seu corpo e rosto, tem queimaduras graves nos pulmões devido à inalação de ar quente, comprometendo as vias respiratórias. 
Luciano Pitronello sendo transferido
 
A noite do dia de ontem foi encontrada a motocicleta em que Luciano alegadamente chegou à cena da ação com outra pessoa para executar o ataque. Esta foi transferida pelo GOPE (Grupo de Operações Policiais Especiais), e está sendo periciada. 
 
Enquanto tentam vinculá-lo com os companheiros e companheiras implicados no “Caso Bombas”, notamos o desespero do governo para tentar tirar o máximo de proveito do episódio. A imprensa, como sempre, tem sido responsável pela publicação de notícias com o fim de preparar o terreno para a repressão. Tortuga é uma pessoa de idéias e convicções, e não um link de uma suposta associação. 
 
Solidariedade com o companheiro Luciano. 
 
Força! 
 
agência de notícias anarquistas-ana

Imagens Youtube 

 

sábado, 4 de junho de 2011

Documentário: Democracia Militar

Em 2006 a então relatora do tema “Defensores de Direitos Humanos” na Organização das Nações Unidas (ONU), Hina Jilani, realizou uma série de audiências no Brasil para ouvir as denuncias dos Movimentos Sociais sobre casos de violações dos direitos humanos no país. Este vídeo foi produzido para a ocasião de sua passagem por Santa Catarina.

O filme aborda três episódios recentes da história de Santa Catarina, são eles: a manifestação de repúdio ao “Relógio dos 500 anos” instalado pela Rede Globo nas capitais do país em 2000; a luta do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no ano de 2005 e as manifestações de resistência ao aumento das tarifas do transporte público em Florianópolis, episódio que ficou conhecido como “Revolta da Catraca”.


Nestes três casos, a violência da repressão e criminalização dos movimentos sociais, marcou o papel da Policia Militar catarinense na violação dos Direitos Humanos e dos Direitos Civis básicos, como a livre manifestação e expressão, pilares nos quais se sustenta o “Estado democrático de Direito”. A partir da denuncia, “Democracia Militar” busca fomentar o debate sobre a qualidade e, no limite, sobre a possibilidade de um regime democrático no qual a ação dos aparelhos repressivos pauta-se pelo total desrespeito aos direitos básicos dos cidadãos. 

Assistam online em:  
ou no Youtube:
primeira parte

segunda parte

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Conselho Indigena Popular de Oaxaca - Ricardo Flores Magón

   Hermanos y hermanas:

Nuestro corazón magonista se encuentra triste y enojado porque la justicia no llega a nuestras comunidades, al contrario los gobiernos nos fabrican delitos mas graves para mantenernos encarcelados y dejemos de luchar por nuestros derechos y nuestra madre tierra.

A mas de un mes de que nuestro hermano zapoteca Pablo López Alavez fuera secuestrado (el 15 de agosto de 2010) por hombres encapuchados y armados en presencia de sus familias y un día después encarcelado en el Penal de Villa de Etla, bajo la fabricación del expediente penal 102/2007 por los delitos de homicidio calificado con ventaja y tentativa de homicidio calificado con ventaja.

Pablo López Alavez, comunero de San Isidro Aloapam, comunidad zapoteca de la Sierra Juárez, se ha distinguido por la defensa del bosque que desde tiempos de sus abuelos han cuidado y preservado su territorio para evitar invasiones y  desde hace mas de 20 años en contra de los talamontes de San Miguel Aloapam que con la complicidad de la SEMARNAT y CONAFOR quienes participan de las ganancias millonarias de la venta de madera sin que les importe la muerte del bosque y con el la vida y subsistencia de su comunidad de San Isidro Aloapam. Por tal motivo en el año 2000 cuando era parte de la autoridad del pueblo fue acusado y preso junto con otros 10 comuneros bajo los delitos prefabricados de Ataques a las vías de comunicación exp.36/ 2000 y de robo de madera que haciende a cerca de tres millones de pesos, exp.123/2000 cuando su delito era detener la tala del monte.

         En este expediente como los anteriores se encontraron serías irregularidades en las constancias que integran la averiguación previa 276(II)2007 instruida por el agente del ministerio Publico investigador del segundo Turno de la Villa de Etla, que origino la causa penal 102/2007 que incrimina a nuestro hermano; estas inconsistencias, ilegalidades e injusticias demuestran su prefabricación, la complicidad y corrupción de las autoridades y juez encargados de impartir justicia con los paramilitares priistas de San Miguel Aloapam.

         Por lo que el día 17 de septiembre se interpuso un amparo contra el auto de formal prisión de nuestro hermano Pablo López Alavez en los Tribunales y juzgados del Décimo Tercer Circuito recayendo en el Juzgado Tercero de Distrito en Oaxaca bajo el expediente 1158/2010, por lo que les estamos pidiendo que manden cartas al juez federal Amado Chiñas Fuentes antes del 14 de octubre de 2010, día en que se llevará a cabo la audiencia constitucional contra el auto de formal prisión para que a la brevedad  posible y conforme a derecho resuelva el amparo a favor de nuestro hermano Pablo López Alavez quien esta privado de su libertad, por las siguientes inconsistencia e ilegalidades:



  1. De acuerdo con las constancias del expedientes las diligencias que el Agente del Ministerio Publico Investigador del Segundo Turno de la Villa de Etla   realizó el día 18 de junio de 2007, no tiene congruencia: la diligencia de  traslado, inspección ocular y levantamiento de cadáver la realiza a las 20:00 horas del día 18 de junio de 2007, pero al medico que le ordena su peritaje dice hace constar que a las 18:00 horas realiza la autopsia a Matildio Méndez Santiago y a las 19:00 horas al cadáver de Arturo Chávez Méndez en el panteón de San Miguel Aloapam del mismo día; lo que demuestra que no estuvo en el lugar de los hechos y da por verdadero lo que la autoridad y testigos de San Miguel Aloapam le contaron pues es irreal que a las 21:45  concluyera la diligencia en “Agua Paloma” de San Isidro Aloapam, lugar donde dicen ocurrieron los hechos, a las 21:15 iniciaba otra diligencia en la Villa de Etla, Oaxaca y a las 21:22 minutos realizara el mismo otra diligencia en San Miguel Aloapam, situación imposible dada las distancias que existen entre los lugares mencionados, lo que indica que la autoridad ministerial no realizo una investigación verdadera de los hechos ocurridos en donde murieron 2 personas y 7 resultaron heridas y acepto lo que la autoridad de San Miguel Aloapam le contó, montando testigos para inculpar a nuestro compañeros Pablo López Alavez y otros mas de la comunidad de San Isidro Aloapam.

  1. La diligencia de FE MINISTERIAL DE OBJETOS AFECTOS practicada por la Autoridad Ministerial no puede acreditar el cuerpo de los delitos que le acusan porque dicha diligencia se realizó  en la población de la Villa de Etla, a las 21:15 del 18 de junio de 2007, cuando según actas de la misma averiguación a esa misma hora y la misma autoridad actuaba en el paraje “Agua Paloma”, en San Isidro Aloapam, en el desahogo de la dirigencia de TRASLADO, INSPECCIÓN OCULAR Y LEVANTAMIENTO DE CADAVER que acabó a las 21:45 del mismo día, lo que le quita su valor probatorio, además que no demuestra que Pablo López Alavez  fuera propietario de dichos objetos.

  1.  No se acredita el cuerpo del delito porque no dicen concretamente a quien disparo e hirió, no se demuestra que nuestro hermano llevará arma o disparará; simplemente la Autoridad Ministerial da como verdad lo que dicen los testigos de San Miguel Aloapam pasando por alto que en sus declaraciones existen diferencias en esencia de cómo ocurrieron los hechos.

  1. Otra irregularidad que nos dice de la fabricación del expediente en contra de Pablo López es la declaración departe de la Guillermina Cruz Méndez , cuando hace la identificación del cadáver de Arturo Chavez Mendez el día 18 de junio de 2007 pues en dicha diligencia se advierte que antes de la llegada de la Autoridad Ministerial, el cadáver fue trasladado del lugar donde perdió la vida al campamento de San Miguel Aloapam, lo que contradice la diligencia de TRASLADO, INSPECCIÓN OCULAR Y LEVANTAMIENTO DE CADAVER, en la que supuestamente después de las ocho de la noche ordenó el levantamiento y traslado del cadáver al panteón municipal de San Miguel Aloapam.

Estas son algunas de las irregularidades que existen en la averiguación del expediente que acusa a nuestro compañero Pablo López Alavez, que demuestran que no existe una investigación real y verdadera que explique lo sucedido ese día 18 de junio de 2007 y solo se concreto la autoridad ministerial aceptar como verdad lo que las autoridades y gentes priistas de San Miguel Aloapam les contaron, tal vez porque les dieron una fuerte cantidad de dinero para que no hicieran su trabajo y acusar a Pablo López Alavez y otros comuneros de San Isidro Aloapam que se han opuesto a que se siga talando el bosque causando la erosión y la  perdida de agua lo que provoca el cambio climático, sin embargo a los paramilitares de San Miguel Aloapam gozan de total impunidad porque con la venta de la madera pueden comprar a las autoridades además que las mismas autoridades de la SEMARNAT Y CONAFOR también reciben ganancias millonarias de esas ventas pues ellos son socios de la venta madera por eso a pesar de que el bosque muere ellos siguen dando permisos para cortar árboles sin que hasta la fecha le presenten un informe del impacto ambiental que ocasiona cada anualidad que autorizan.       



Ante estos hechos llamamos a los hermanos y hermanas indígenas, a los integrantes de la otra campaña, a los hombres y mujeres del mundo, a los defensores de los derechos Humanos, a los ambientalistas, y a todas y todos a apoyarnos desde sus lugares mandándole cartas por fax o correo postal, hacer llamadas a las autoridades así mismo puedan hacer una actividad por la libertad de nuestro compañero Pablo López Alavez.


Por la Reinstitución y Libre Asociación de Nuestros Pueblos.
Consejo Indígena Popular de Oaxaca “Ricardo Flores Magón”
CIPO RFM.


Santa Lucia del Camino, Oaxaca a 5 de Octubre del 2010

Enviar cartas a las siguientes direcciones:


Poder Judicial de la Federación.
Juzgados y Tribunales Décimo Tercer Circuito.
Juzgado Tercero de Distrito en Oaxaca.
Juez: Amado Chiñas Fuentes.
Oficina Común de Correspondencia de Juzgado de Distrito.
Dirección: Av. Juárez 709 2DO. PISO Col. Centro.
Oaxaca,  Oaxaca, México. Código Postal 68000
Teléfonos: (951) 515-3600
(951) 5 18 56 13 (FAX) 5 15 66 00

Señor Presidente Felipe de Jesús Calderón Hinojosa,
República de los Estados Unidos Mexicanos

Lic. Ariadne Garcia Hernández, Directora de Organizaciones No Gubernamentales Internacionales, Comisión Nacional de Derechos Humanos de México
Dr. Raúl Plascencia Villanueva
Presidente de la Comisión Nacional de Derechos Humanos

Lic. José Francisco Blake Mora
Secretario de Gobernación
República de los Estados Unidos Mexicanos

Lic. Arturo Chávez Chávez
Procurador General de la República

Lic. Ulises Ruiz Ortiz
Gobernador Constitucional del Estado de Oaxaca

Lic. Ma. De la Luz Candelaria Chiñas
Procuradora General de Justicia del Estado de Oaxaca




LIBERTAD A LOS/AS PRESOS/AS INDIGENAS DEL CIPO-RFM "VIVA LA AUTONOMÍA" visite nuestra pagina: www.nodo50.org/cipo  Consejo Indígena Popular de Oaxaca "Ricardo Flores Magón", CIPO-RFM. Calle: Emilio Carranza 210, Sta. Lucía del Camino Oaxaca, México. tel: +(951) 51-78183 y +(951) 51-78190 mail: cipo@nodo50.org, mujercipo@hotmail.com, los_magoneros@hotmail.com
PARA DONATIVOS A NOMBRE DEL CIPO-RFM: Banco Nacional de México, SA. Domicilio Hidalgo # 821. col.Centro, Oax. C.P.68000, Sucursal Oaxaca, No. 120, Suit: Banamex: BNMXMXMM, Cuenta: 002610012077451770

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A FORA comemorou 110 anos com casa cheia

No Teatro Verdi via-se penduradas as bandeiras vermelhas e pretas que enfeitavam os palcos e meio milhar de pessoas encheram a sala localizada no coração de La Boca. Poderia se referir a uma imagem tirada de outra época, quando congressos dos trabalhadores eram freqüentes no bairro de Buenos Aires. No entanto, o aniversário da Federação Obreira Regional Argentina, que completou, no último dia 25 de maio, 110 anos de existência, longe de ser um ato de evocação nostálgica de gloriosos tempos, foi um ato de reivindicação do ressurgimento do sindicalismo revolucionário.
 
Por mais de quatro horas, os mais de 500 trabalhadores vindos de diferentes partes do país, revisaram a história da organização e analisaram a perspectiva de luta atual. Nesta época, as práticas foristas encontram vigor e legitimidade na causa da ditadura sindical da CGT, corporativista e subserviente ao interesses dos empregadores, que cada vez mais se distancia de ser a resposta que esperam os trabalhadores.
 
Pelo palco do teatro foram passando diferentes atores do passado e presente da FORA, que abordaram diferentes posições-chave que levaram a esta organização secular a escrever as páginas mais brilhantes do movimento operário argentino. Além disso, realizou-se uma análise das perspectivas de ação que se abrem após importante processo de reestruturação realizado pelas novas gerações que conseguiram reposicionar novamente a FORA como um forte instrumento que os trabalhadores têm para conseguir sua emancipação.
 
O evento, que também contou com a presença de Carlos Marín, militante da CNT (Espanha) e delegado da Associação Internacional Trabalhadores (AIT), reuniu membros de todas as sociedades de resistência da Federação, bem como coletivos anarquistas afins, que mostraram seu apoio a uma organização gremial, que não só pode se orgulhar de ser a única remanescente fiel à sua ideologia, e que fortemente começa a renascer na Argentina.
 
Assessoria de Imprensa - Conselho Federal Fora (foracf@fora-ait.com.ar
 
Quinta-feira, 26 de maio de 2011
 
agência de notícias anarquistas-ana

Documental/Documentary - Rage Against The Machine - The Battle Of Mexico City

sexta-feira, 16 de julho de 2010

MOVIMENTO DOS PESCADORES E PESCADORAS – BAHIA


Carta das Comunidades Pesqueiras e Remanescentes de Quilombos de Santo Amaro BA, em repúdio a licença de localização do mega empreendimento turístico da empresa PROPERT LOGIC no Território quilombola da ILHA DE CAJAIBA

Vimos manifestar nosso repúdio a decisão do CEPRAM – Conselho Estadual de Meio Ambiente, que no dia 30 de Junho de 2010 de forma extremamente desrespeitosa aprovou o licenciamento de localização do empreendimento turístico da empresa internacional Propert Logic. Esta empresa de capital europeu pretende instalar um mega empreendimento hoteleiro na Ilha de Cajaiba localizada na foz do rio subaé e inviabilizar o modo de vida de milhares de famílias que historicamente sobrevivem dos recursos naturais existentes na ilha através do extrativismo de frutas ou da pesca artesanal.

Tanto o IMA – Instituto do Meio Ambiente como o CEPRAM ambas instituições ligadas a Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) não respeitaram os direitos das nossas comunidades previsto na constituição federal, através do artigo 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitória da Constituição Federal / 1988, bem como os demais decretos federais e convenções internacionais assinados pelo Estado brasileiro. Ou seja, mesmo tendo ciência de que o INCRA/BA já tinha iniciado o processo de elaboração do RTID – Relatório Técnico de Identificação e Titulação do território quilombola e cientes das recomendações da Fundação Cultural Palmares a SEMA não mediu esforços no sentido de se dobrar aos interesses de empresários estrangeiros legítimos continuadores do processo de colonização do território brasilei ro.

Além disso, a SEMA foi incapaz de reconhecer que as comunidades pesqueiras e quilombolas de Santo Amaro são vitimas de decisões politicas desenvolvimentistas que resultaram em profunda degradação ambiental e social na região, a exemplo da contaminação por metais pesados oriundos da fábrica de chumbo (capital francês) e da recente degradação ocasionadas pela fábrica de papel (capital japonês). Estes exemplos não foram suficientes para que a SEMA considerasse o principio da precaução ambiental estabelecidos nas constituições estadual e federal.
Este caso é mais um ato de racismo ambiental num contexto de governo dito de todos nós. Diferentemente do que se anuncia, licenciar um mega empreendimento turístico numa Ilha historicamente utilizada pelas comunidades para sua reprodução física e cultural, reafirma que o governo da Bahia continua subserviente aos interesses das grandes empresas internacionais e contra a luta das comunidades pesqueiras e quilombolas pela manutenção dos seus territórios tradicionais.

Tendo em vista, o fortalecimento da resistência das comunidades pesqueiras e quilombolas neste pais, convocamos as entidades dos movimentos sociais, especialmente aqueles comprometidos com a resistência negra, para participar da Audiência Pública com órgãos públicos estaduais e federais a ocorrer no dia 13 de julho de 2010, a partir das 14h, no espaço do PETI – comunidade remanescente de quilombo de São Braz – Santo Amaro BA.

A resistência continua!
Salve Altino da Cruz, Maria do Paraguaçu, Zumbi dos Palmares...

terça-feira, 13 de julho de 2010

On june 6 2010, Diego Giménez Moreno, veteran of the Spanish Civil War

On june 6 2010, Diego Giménez Moreno, veteran of the Spanish Civil War, has passed away in the city of São Paulo, Brazil. He was 99 years old and had Parkinson's syndrome.



Diego Giménez was born in april 10 1911 in Jumilla, Murcia, and entered the Spanish anarchist movement after the death of his father, when he was 17. Through the Federación Ibérica de Juventudes Libertárias he got in touch with the ideas of libertarian naturism, adopting vegetarianism and drug-free living. In 1931, Diego joined the CNT and became the secretary of the local Syndicate of Graphical Arts. Five years later, he would participate in the most successful event in anarchist history, the Spanish Revolution, joining the legendary Columna Durruti in the fight against fascism. After the defeat of the popular front to the Fracoist forces, Diego was arrested and sent to the concentration camp of Mauthausen, Austria, from which he managed to escape to France. He moved to São Paulo in 1942 and became a militant of the local anarchist groups Sociedade Naturista Amigos de Nossa Chácara (Friends of Our Farm Naturist Society) and Centro de Cultura Social (Center of Social Culture).



Diego was very dear to the Brazilian anarchist movement. His speeches on the civil war and his defense of minimal consumption and sobriety had a huge influence on younger and older anarchists and anarcho-syndicalists. Some of his thoughts can be found in the books Mauthausen: Campo de Concentração e de Extermínio, Três Depoimentos Libertários, and Anarquistas: Ética e Antologia de Existências. Diego also wrote articles to the French anarchist journal Le Combat Syndicaliste. The history of his struggle remains an inspiration to the entire movement. His experience, moral strength, and character will be missed.



We must give up today's unhealthy behaviors. We are not defending our interests, but those of the capital. We must be like the snake who gets rid of her old skin in order to have a new one.

Diego Giménez Moreno



You can read an interview Diego Giménez gave to FOSP/COB-AIT here:

http://fosp.anarkio.net/cmanarca/Entrevista_Diego_Gimenez_Moreno.pdf (In portuguese)





quarta-feira, 16 de junho de 2010

[AIR-DF] Carta do líder Carlos Pankararu


Carta de Carlos Pankararu sobre os acontecimentos do dia 12 de junho no AIR.


Infelizmente um grupo de índios aceitou acordo com a Funai. A Funai, como sempre, mentindo que vai abrir Postos e Administrações no Maranhão e Pernambuco, histórias que já conhecemos desde o início do ano, porém nada cumpriu. Esses que foram para os hotéis da Funai não foram enganados, porque esta cena aconteceu em janeiro e em outras épocas também. Onde sempre pediram para os índios voltarem para suas aldeias e abrir postos e administrações, porém nunca realizaram-se, porque o Decreto agora é a nível da Presidência da República e não do presidente da Funai, nem do Ministério da Justiça. Sabemos que eles não vão abrir Postos nem Administrações de forma passiva porque o interesse do governo é com o PAC e todos nós sabemos que o Decreto 7.056 é a porta aberta para o desenvolvimento do PAC em terras indígenas. Se, por um acaso, eles abrirem Pernambuco e Maranhão eles são obrigados a abrir todos os Postos e Administrações do Brasil, porque os direitos são iguais e eles sabem disso. Existem vários projetos governamentais tramitando no Congresso Nacional para serem concluídos em terras indígenas. Vamos citar alguns deles: hidrelétricas, mineração, rodovias, sequestro de carbono, isto sem consultar as comunidades indígenas, assim como fizeram para aprovar o Decreto 7.056. Por este motivo, eu, Carlos Pankararu, junto com alguns guerreiros como Kretan Kaingang, cacique Valdir Kaingang, cacique Valdete Krahô, Korubo, Lúcia Munduruku, Adriano Karipuna e mais alguns, ingressamos nessa luta desde janeiro, na esperança de uma nova política indígena onde nossos direitos fossem prevalecidos e fazessemos que esses governantes nos respeitassem de forma como manda a Constituição Brasileira e as leis internacionais. Não somos contra o progresso, mas somos contra a forma que querem fazer as negociações injustas, quase comparada à um assalto a mão armada.

Eu e o grupo que ficamos na resistência estamos tristes e chateados com a covarde atitude dos nossos parentes, porque não era esse o nosso plano. O nosso plano é revogar o Decreto ou no mínimo, negociar pontos que prejudicam a população indígena brasileira. E também exonerar o presidente da Funai por estar violando os nossos direitos. O assessor do Presidente da República, Paulo, ex-funcionário do CIMI, se retirou logo após a miha chegada, basicamente 11 horas da manhã de sábado. Eu pedi para que ele conversasse comigo, mas ele saiu andando com medo por ser um covarde e dizendo em alta voz que eu estava usando o povo. Dizendo que eu morava em Brasília, respondi que moro em Brasília ou em qualquer lugar do Brasil. O livre arbítrio do ser humano também está na Constituição Brasileira e na Bíblia Sagrada. Eu estou aqui lutando pela minha mãe, meus irmãos, meus tios, meus primos, por todos Pankararu e índios do Brasil e pelos meus direitos, pois sou um Pankararu, não fiz transfusão de sangue nem deixei de ser Pankararu apenas por estar em Brasília, posso voltar à aldeia quando quiser, por isso fico aqui e lá. Tenho certeza de que o Paulo também não é filho de Brasília, como o Lula, que não é de Brasília nem paulista, é de Pernambuco, e quem fala alguma coisa por ele ser pernambucano? Gostaria que ele me provasse quanto ele ou o Presidente Lula ou o ministro da Justiça já me pagou para que eu formasse esse movimento. O Aluizio, diretor da Assistência também estava com o Paulo negociando a desmobilização, mas não me preocupo, as denúncias estão em todas as áreas da Justiça. Além das OABs dos estados do Paraná, de Tocantins e outros estados. O Acampamento Revolucionário entrou com ação na OAB nacional. Além do mais, temos 5 projetos de revogação por 5 deputados federais. Temos também ações no Senado Federal, estou acreditando na mudança mesmo com esta situação. Porque muitos índios estão chegando nessa semana do Nordeste, do Sul e do Centro-Oeste. Não falo o nome das etnias, para evitar ação dos manipuladores. O Acampamento vai continuar porque não está lutando apenas por Pernambuco ou Maranhão, mas sim por todos os índios do Brasil. Estou aguardando o líder Arão da Providência Guajajara e Kretan Kaingang para decidirmos como vamos agir de agora em diante. São essas as minhas palavras! E viva a Resistência Indígena! E que Tupã o abençoe todos.


terça-feira, 8 de junho de 2010

Por uma democracia social com partidos políticos de outro tipo: ancestralidade e desenvolvimento - 4



Mikhael Guerdjikov, nascido em 26/01/1877, falecido em 18/03/1947, mais conhecido militante e referente da Federação Anarquista Búlgara, fundada em 1919. Esta federação foi modelo de organização de quadros vinculada às lutas de massas no apoio da libertação nacional contra a ocupação do Império Otomano.

recollectionbooks

08 de junho de 2010, da Vila Setembrina de Lanceiros Negros traídos por latifundiários no Massacre de Porongos, Bruno Lima Rocha

Concluímos esta pequena série de quatro artigos de difusão científica voltada para o pensamento político organizativo, apresentando tanto as raízes desse modelo de partido como também uma possibilidade de desenvolvimento orgânico do mesmo.

A ancestralidade do modelo de organização aqui desenvolvido

O modelo que apresentamos nesta série em particular e nas obras em geral não se trata de uma novidade para o universo da política. Se são novos ou inexistentes os estudos sobre o tema, se esta forma do fazer político não se transformara em objeto estudo, isto se deu devido à correlação de forças no interior das esquerdas, a passagem desta correlação para o campo acadêmico e da óbvia conseqüente ausência de transposição dos debates travados na esquerda mundial para o universo da cultura letrada e com bases cientificistas. Como já foi dito em textos anteriores desta série, este modelo aborda a organização política de militantes especificamente aderentes a um corpo ideológico-doutrinário. Por não ser de massas, em contraposição, está no formato de quadros, sem filiação aberta e cujo grau de compromisso dá-se através dos círculos concêntricos. Na estruturação interna, dentro da Teoria da Interdependência das 3 Esferas, a divisão a forma orgânica tem sua equivalência na esfera jurídico-político-administrativa.


domingo, 6 de junho de 2010

“Diego Giménez Moreno – Um Exemplo de Atuação Anarquista”

Negando a oportunidade de ter uma vida cômoda dentro da sociedade capitalista, a trajetória de Diego Giménez Moreno no movimento anarquista foi edificada com dedicação, coerência, força de vontade e muita coragem para lutar contra a violência, a repressão, a injustiça, as ditaduras (de direita e de esquerda) e toda espécie de obstáculos que se apresentaram no decorrer do caminho.

Viver clandestinamente, abdicar da companhia de seus familiares, abandonar seu país de origem, ser julgado e condenado a ser preso em campos de refugiados (construídos com dinheiro público), foi o preço que Diego teve que pagar por semear as idéias libertárias de igualdade e solidariedade humana.

Diego Giménez Moreno nasceu no dia 10 de abril de 1911, na Vila de Jumilla, província de Murcia. Filho mais velho de Maria Moreno Muñoz e de Diego Giménez Guardiola, seu pai era trabalhador rural e filiado a União Geral dos Trabalhadores (U.G.T.). Na residência familiar viviam também seu irmão (Roberto Giménez Moreno), suas irmãs (Ana Giménez Moreno e Maria Giménez Moreno, essa última ainda viva) e sua avó materna (Ana Muñoz Avellán).

Na infância Diego Giménez estudou em uma escola pública em Jumilla, onde havia aulas religiosas. Certa vez, o professor castigou fisicamente Diego por não ter respondido uma pergunta sobre o catecismo. Ao informar o episódio ao seu pai, Diego foi transferido para uma escola do sindicato, onde seu pai era filiado. Estudou até os 8-9 anos e foi ajudar seu pai no trabalho agrário.

Na seqüência, a família de Giménez fixou residência em Badalona (Barcelona-Catalunha), buscando melhores condições de trabalho.

Inicialmente, Diego (aos 12 anos) começou a trabalhar numa fábrica de velas, para ajudar seu pai que trabalhava na empresa francesa Cros de produtos químicos. Pouco tempo depois Diego já estava trabalhando na empresa italiana Metagraf, que reunia trabalhadores gráficos e metalúrgicos.

Nessa época, seu pai trouxe o livre “Manolín – Leyenda Popular” de Estéban Beltrán Morales (4ª edição, 1910, Espanha) e esta foi sua primeira leitura socialista.

Em 1928, Diego Giménez (com 17 anos) perdeu seu pai, que morreu aos 42 anos por intoxicação aos produtos químicos com os quais trabalhava e se tornou o homem mais velho de sua família, redobrando sua responsabilidade.

Após o final da ditadura espanhola (1923-1930) e das eleições de 14 de abril de 1931, com a vitória do Partido Republicano, surgiram diversas publicações de caráter anarquista, das quais Diego Giménez Moreno teve acesso, entre elas: La Novela Ideal (de Federico Urales, Pseudônimo de Juan Montseny), La Revista Blanca, El Luchador, Generación Consciente (posteriormente Estudios) e a partir dessas leituras sobre pedagogia libertária, medicina natural, educação ambiental, tecnologia, entre outros, tornou-se anarquista e começou a militar no Sindicato das Artes Gráficas, onde tornou-se tesoureiro, secretário e depois presidente do Sindicato.

Nas palavras do próprio Giménez: “Fui presidente do Sindicato das Artes Gráficas e isso não é um orgulho para mim! Não é um prêmio! É uma obrigação que eu tive no terreno do sindicalismo... Durante a guerra civil, tentei deixar meu cargo e não me permitiram. Naquela noite chorei... Chorei sim, na assembléia, porque vi que eles queriam que permanecesse ali”.

Em 1934, Diego se casou com Maria Roger Aguilar, e no ano seguinte nasceu seu primeiro filho Helios Giménez Roger.

Em 17 de julho de 1936, quando o exército do general Franco se levantou contra a República e Barcelona se insurgiu contra o golpe de Estado, Diego Giménez Moreno participou da revolução armada nas ruas.

No dia 26 de julho de 1936, o Sindicato de Barcelona proclamou a volta ao trabalho. Na fábrica onde Diego trabalhava (Metagraf) juntamente com cerca de mil operários, o patrão fugiu e nomeou-se um comitê autogestionário composto por um trabalhador de cada secção industrial, para dar continuidade ao trabalho fabril. Diego coordenou uma pequena secção na indústria de embalagens.

Em setembro de 1937, Diego Giménez chegou ao front de guerra, a 30 quilômetros de Zaragoza (capital de Aragão) na Brigada 21 da Coluna Durruti, setor Bajo Abril. O capitão, que era um amigo e companheiro anarco-sindicalista, queria enviar Diego para a Escola de Guerra em Barcelona e em três meses ele voltaria com grau de tenente. Diego comenta o episódio: “Eu falei para o capitão que ele sabia que nós não havíamos sido educados para isso e, portanto, não aceitei o convite. Hoje eu estaria recebendo um salário mensal de tenente, é um dinheiro, não? Mas eu não estou preocupado, eu fiz o que minha consciência anárquica me aconselhava”.

Segundo o próprio Diego, o setor onde ele estava “não era um lugar de luta constante porque não tínhamos armas suficientes para o enfrentamento. Não recebemos ajuda, nem fuzis, passamos meses nessa situação”. Posteriormente, esse grupo foi substituído pelas Brigadas Internacionais e a nova linha de defesa passou a ser em Montsec (Lérida), província de Catalunha. Diego fez parte de um grupo de defesa contra gazes na Brigada 21 da 26ª Divisão (antiga Coluna Durruti), que além de conservar o equipamento, treinava a utilização de máscaras, simulando situações de emergência, e transmitia esses conhecimentos para grupos de soldados em hora de descanso.

Em 20 de novembro de 1938, durante as homenagens do segundo ano da morte do anarquista Buenaventura Durruti, ao sair de madrugada para Barcelona, Diego foi ferido com um tiro e, após os primeiros socorros, levado para um hospital na cidade de Manresa (Bages-Barcelona). Foi justamente quando recomeçou a ofensiva franquista, chegando muitos feridos neste hospital.

Diego foi evacuado para o Monastério de MontSerrat (Bages-Barcelona), onde ficou por quinze dias e depois o levaram para Santo Hilário, recebendo a visita de sua mãe e esposa.

Em dezembro de 1938, com o avanço dos fascistas, Diego foi levado para o hospital de Ripoll (Barcelona-Catalunha), onde ficou mais 15 dias e seguiu para Puigcerda (Gerona-Catalunha), depois Bourg-Madame (já na França) e de trem até Auch (Gers-França), num quartel que tinha sido adaptado para um hospital.

No dia 31 de abril de 1939 (final da guerra civil espanhola), Diego foi enviado para o Campo de Refugiados Sept Fonds, e lá esteve (entre outros) com um companheiro de 16 anos chamado Juan.

Em Sept Fonds, pode manter correspondência com a família, porém, esteve o tempo todo mal alojado (não tinha leito para dormir, entre outras coisas) e tinha acesso a pouco alimento.

Durante alguns meses, participou de uma companhia de trabalho na construção de uma estrada de ferro entre as cidades de Le Mans (capital de Sarthe) e Le Loar, e outra nas proximidades de Bourdeaux (capital de Aquitania).

Em 1940, quando os alemães invadiram Bordeaux, Gimenez foi transferido para um campo de refugiados em Le Vernet (Ariège) e depois Melilesben, onde pode visitar os companheiros Fernando e Aurora, em Pamiers (Ariége).

Diego trabalhou ainda no rescaldo do rio Tet (sul da França) e na construção de uma central elétrica.

No dia 12 de fevereiro de 1942, Giménez saiu clandestinamente em direção a fronteira da Espanha. Sua companheira, Maria Roger Aguilar, havia lhe informado que a polícia espanhola não sabia de sua atuação sindicalista (naquela conjuntura social, participar de sindicato era considerado crime) e, portanto, não constava nenhuma punição contra ele.

Diego foi até a cidade de Figueras (Gerona-Catalunha), onde a polícia o levou algemado até um quartel de Barcelona. Ficou durante dez dias num Campo de Depuração em Reus (Tarragona-Catalunha) e foi libertado em 24 de fevereiro de 1942, quando pode novamente se reunir com sua esposa, seu filho e sua filha Luz Giménez Roger.

Em Barcelona trabalhou 10 anos em uma fábrica onde a carga horária chegava até 16 horas por dia. A situação econômica era muito difícil e mesmo com o trabalho de sua companheira, de seu filho (com 16 anos) e de sua filha (com 12 anos) não era o suficiente para superar as dificuldades.

No dia 16 de março de 1946, nasceu sua nova filha, Rosa Giménez Roger, e no dia 10 de abril de 1952, Diego resolveu embarcar para o Brasil com seu filho. Quinze dias depois, chegaram ao Porto de Santos.

Fixaram residência na Vila Santa Clara, na cidade de São Paulo, e em poucos dias, Diego e seu filho já estavam trabalhando.

Após oito meses, a esposa e as duas filhas puderam também imigrar para o Brasil.

Por intermédio de um amigo (Joaquim Vergara), Diego fez contato com a Sociedade Naturista Amigos de Nossa Chácara (que na época, era o local onde se realizava os Congressos Anarquistas no Brasil) e com o Centro de Cultura Social, desde então contribuindo e participando das atividades de ambos.

Entre 1972-1973, escreveu artigos para o periódico anarquista “Le Combat Syndicaliste” (Paris-França), com os pseudônimos de “El Buscador” e “El Exiliado”. E em 5 de outubro de 1975, escreveu e publicou em português (dividindo a autoria com seu irmão Roberto Giménez Moreno) o livro “Mauthausen – Campo de Concentração e de Extermínio” (tiragem de 2.300 exemplares), pela Ediciones HispanoAmericanas no Brasil.

Diego Giménez Moreno também proferiu diversas conferências em São Paulo (a maioria no Centro de Cultura Social) e em outras cidades paulistanas, sobre sua experiência libertária na guerra civil espanhola, assim como procurou sempre estar em contato com os jovens.

Um forte traço do caráter de Giménez é sua irrefutável autonomia, sendo adversário ferrenho do tabagismo e do alcoolismo. O vício constitui uma fraqueza de vontade e, por sua vez, o consumo de álcool e tabaco, além de prejudicar a saúde, fortaleça a indústria dessas drogas e do próprio capitalismo.

Nas palavras de Diego: “Ao comprar cigarro e álcool você está alimentando o patrão, que se aproveita de sua debilidade”.

Também é adepto do vegetarianismo, afirmando ter sido influenciado pelos escritos do dr. Isaac Puente Amestoy (C.N.T.– F.A.I.), na revista Estudios.

Assim como outros de sua geração, Diego segue um velho lema anarquista: “Enquanto vivermos sob o capitalismo, devemos consumir o mínimo necessário”.

Hoje, aos 96 anos de idade, Diego Giménez vive em São Bernardo do Campo (São Paulo-Brasil), e com o mesmo vigor que combateu os fascistas na revolução espanhola, combate agora um novo inimigo: o mal de Parkinson.

Marcolino Jeremias.

Livros que falam sobre a trajetória anarquista de Diego Giménez Moreno:

- “Mauthausen – Campo de Concentração e de Extermínio”, de Giménez Moreno, Ediciones HispanoAmericanas, São Paulo – Brasil, 1975;

- “Três Depoimentos Libertários”, Entrevistas com Diego Giménez Moreno, Jaime Cubero e Edgar Rodrigues, Editora Achiamé, Rio de Janeiro – Brasil, 2002;

- “Anarquistas: Ética e Antologia de Existências”, de Nildo Avelino, Editora Achiamé, Rio de Janeiro – Brasil, 2004.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Anarquismo Social e Organização


Documento aprovado no I Congresso, realizado em 30 e 31 de agosto de 2008

O I Congresso da FARJ foi realizado com o principal objetivo de aprofundar nossas reflexões sobre a questão da organização e formalizá-las em um programa.

Desde 2003, este debate vem acontecendo dentro de nossa organização. Produzimos materiais teóricos, apuramos nossas reflexões, extraímos ensinamentos de erros e acertos de nossa prática política e foi se tornando cada vez mais necessário aprofundar o debate e formalizá-lo, difundindo este conhecimento, tanto interna quanto externamente.

O documento "Anarquismo Social e Organização" formaliza nossas posições após todas estas reflexões. Mais do que um documento puramente teórico, ele reflete as conclusões realizadas após 5 anos de aplicação prática do anarquismo nas lutas sociais de nosso povo.

O documento foi publicado em livro numa co-edição Faísca/FARJ.


Baixar o documento

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

NOTA OFICIAL DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA APÓS A CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLÍTICO-POLICIAL CONTRA A ORGANIZAÇÃO

Porto Alegre, 16 de novembro de 2009

Companheiras e companheiros,
Até o Grupo RBS reconheceu que a causa é política e não um caso de policial e nos colocou na editoria de POLÍTICA. O delegado titular caracterizou com todas as implicações possíveis e a nota que saiu há pouco no Plantão da Zero Hora reflete a compreensão dessa farsa jurídico-policial. Temos a total confiança de que vamos conseguir nos defender e provar que o ocorrido foi um ato político de responsabilização de um evento de repressão ao MST cuja chefe do Executivo estadual e o comandante dentro do campo de operações são, de fato, os responsáveis políticos. Em qualquer país da América Latina esse episódio iria gerar uma indignação popular. Esperamos que o conjunto das entidades de base, movimentos populares e a esquerda autêntica compreendam que hoje é com a FAG, amanhã pode ser contra qualquer outra agrupação que ouse falar o que pensa e provar o que sabe.

Solidariamente, Federação Anarquista Gaúcha
www.vermelhoenegro.og/fag


ABAIXO A NOTA OFICIAL DA POLÍCIA CIVIL DO RS A RESPEITO DA CAUSA POLÍTICA CONTRA A FAG

17ª DP conclui inquérito sobre campanha caluniosa contra Governadora

O delegado André Mocciaro, titular da 17 ª Delegacia de Polícia (DP), concluiu, nessa sexta-feira (13/11) o inquérito que investigava a veiculação de campanha publicitária calu
niosa contra a Governadora do Estado, Yeda Crusius. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça, sendo apreendidos diversos materiais, inclusive as matrizes do material investigado, computadores, bem como foram adotadas providências quanto
ao conteúdo publicado na internet. Segundo o delegado Mocciaro, foram identificados os responsáveis pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG), a qual publicou diversos cartazes publicitários com conteúdo criminoso. Os oito integrantes da FAG identificados foram indiciados por crime contra honra, incitação ao crime e formação de quadrilha ou bando. Segundo o delegado Mocciaro, a liberdade de expressão e o direito de reunião, constitucionalmente assegurados, assim como Internet, espaço mundial para livres manifestações, não podem servir de escudos e meios para prática de crimes. Em outro procedimento, em atendimento à requisição de diligências recebidas do Poder Judiciário, foram ouvidos, cerca de 20 representantes de diversas entidades que deflagraram neste ano campanha publicitária ofensiva contra a Governadora do Estado.

POLICIA CIVIL
Assessoria de Comunicação

Observação final da FAG:

É da natureza da política querer caracterizar como crime o protesto e a defesa da verdade e a punição aos culpados pelos crimes de Estado. Ainda que o soldado da Brigada Militar tenha assumido o disparo, este praça não estava nem em posição de comando da tropa e menos ainda na função de chefa do Executivo do governo do estado. Mais uma vez somos incriminados por sermos militantes anarquistas. E, assim como na Campanha de Sacco e Vanzetti, organizações solidárias de todo o mundo já enviam, de todas as partes, solidariedade, alento e coragem.

O neoliberalismo não passará no Rio Grande!
Justiça e punição para os mandantes e responsáveis políticos do assassinato de Eltom Brum da Silva!
Toda a solidariedade com a Federação Anarquista Gaúcha!
Arriba los que luchan! Não tá morto quem peleia!

http://www.vermelhoenegro.co.cc/