terça-feira, 27 de setembro de 2011
Resposta a reitoria e a sociedade
Estudantes em Greve sofrem tentativa de homicídio
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
NOTA A COMUNIDADE - COLETIVO DE PARALISAÇÃO DOS ESTUDANTES
COLETIVO DE PARALISAÇÃO DOS ESTUDANTES
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Em encontro anterior a ocupação Estudantes da UFRB negociam com a Reitoria
Comando de Paralização lança contra proposta a Imposição da Reitoria
Nota à Reitoria em Resposta a Mesa de Negociação
COLETIVO DE PARALISAÇÃO DOS ESTUDANTES
NOTA A COMUNIDADE
Em tempo, solicitamos a presença do Ministério Público Federal (MPF) para endossar os acordos firmados ao final das negociações.
A título de informe, serão dez discentes a compor a Mesa Permanente de Negociação, e, para além da classe estudantil, sugerimos que toda a comunidade acadêmica possa participar das reuniões das Mesas na condição de ouvintes.
Por fim, convidamos a Reitoria e os Diretores de Centros para a Primeira Reunião da Mesa de Negociação, no dia 21/09/2011 (quarta-feira), às 09:00hs no Anfiteatro da Reitoria da UFRB.
O Movimento Estudantil da UFRB prossegue autônomo e em luta.
Coletivo de Paralisação dos Estudantes
Cruz das Almas – BA, 16 de setembro de 2011.
Reitoria lança proposta unilateral que não é aceita pelos estudantes.
| Nota Pública sobre a Reunião da Mesa de Negociação Permanente com os Estudantes | | Imprimir | |
| Dom, 18 de Setembro de 2011 21:18 |
| A reitoria da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia informa que a Reunião da Mesa de Negociação Permanente com os Estudantes está marcada para o dia 20 de setembro de 2011, terça-feira, às 19:00h, na Pró-Reitoria de Gestão de Pessoal – PROGEP, na rua Prof. Mata Pereira, 210, Centro, Cruz das Almas - Bahia. Reiteramos que participarão da reunião os Diretores dos Centros, o Reitor, Vice-Reitor e a representação estudantil. Advertimos que, até o presente momento, não fomos informados quanto aos nomes dos representantes dos discentes que comporão a presente negociação, condição indispensável para a instalação do referido fórum. Em virtude de nossa vocação democrática, se for a vontade dos estudantes dos Centros, abrimos a possibilidade do Reitor, Vice-Reitor e os Diretores dos Centros também discutirem a pauta dos campi, diretamente com os respectivos representantes estudantis de cada Centro. Cruz das Almas, 18 de setembro de 2011. Paulo Gabriel Soledade Nacif Reitor da UFRB |
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Re: NOTA DA REITORIA SOBRE A COMISSÃO DA MESA PERMANENTE DE NEGOCIAÇÃO.
domingo, 11 de setembro de 2011
MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA COLETIVO DE PARALISAÇÃO DOS ESTUDANTES
| Foto: Luis Antonio |
Extrato do Plano de Desenvolvimento Institucional 2010-2014 da UFRB, página 25: “(...) a educação é tomada como uma prática social e política, realizada no âmbito das relações sócio-histórico-culturais, objetivando formar pessoas com competência técnica e política, humanizadas, éticas, críticas e comprometidas com a qualidade de vida dos cidadãos. Pessoas que pensem e reflitam sobre o mundo, o contexto social e assumam o papel de protagonistas em processos de transformação social.”
Extrato da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu artigo 43, que trata das finalidades da educação superior:
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.
Pautas Internas
1. Construir e concluir as obras estruturais dos Campus, já previstas e as demais necessárias, a fim de garantir a qualidade e o bom funcionamento dos cursos, atentando para o princípio da acessibilidade.
2. Garantir as condições necessárias para a concretização da formação integral dos estudantes (graduandos e pós-graduandos), tanto no que se refere aos aspectos específicos de cada curso, a exemplo das terminalidades, como, também, a realização das atividades relativas às aulas práticas, aos laboratórios e aos campos de estágio.
3. Assegurar as condições necessárias relativas à manutenção hidráulica, elétrica, de acesso às questões sanitárias, ambientais e de segurança nos Campus.
4. Melhorar as condições que garantam a qualidade e a paridade no que se refere a recursos materiais e humanos, bem como de reconhecimento, nas ações de extensão, ensino e pesquisa em todos os Campus.
5. Reforma e ampliação do Restaurante Universitário (R.U.) do Campus de Cruz das Almas; construção dos R.U’s de Santo Antônio de Jesus, Amargosa e Cachoeira, com administração, exclusivamente pública, assegurando o modelo de Restaurante Popular de qualidade e socialmente referenciada, para o atendimento à comunidade acadêmica e ao público externo, garantindo a gratuidade aos assistidos pelo Programa de Permanência Qualificada (PPQ).
6. Construção de Creches Universitárias em todos os Campus.
7. Assegurar, por meio de ações efetivas, assistência estudantil, no que se refere à ampliação da moradia estudantil, transporte, assistência à saúde, apoio pedagógico, didático e psicossocial; assim como o aumento do número disponibilizado ao PPQ e facilitação do acesso ao auxílio emergencial.
8. Controle social, transparência e gestão participativa nas ações da Universidade e a garantia da autonomia e isonomia entre os Centros.
9. Descentralização do Sistema de Bibliotecas, criação do Sistema Alternativo de Empréstimos e aumento do acervo bibliográfico e audiovisual, com acesso total ao acervo pela comunidade acadêmica e sociedade civil, durante todo o ano.
10. Implantação da TV e radio Universitária, para a troca de experiências entre as comunidades acadêmicas, em parceria com o Sistema IRDEB.
11. Construção dos espaços de convivência em todos os Campus e cessão do atual prédio do CCAAB para o Movimento Estudantil, bem como garantir estrutura de funcionamento dos Diretórios, Centros e Coletivos Acadêmicos.
12. Contratação imediata de mais professores pelo regime jurídico único, com Dedicação Exclusiva, para atender às necessidades de todos os cursos da UFRB, assim como de servidores técnico-administrativos, de forma a permitir o funcionamento da Universidade em turnos contínuos.
13. Viabilizar e destinar recursos específicos para atividades autogestionadas pelos estudantes.
14. Garantir transporte itinerante entre os campus, a fim de assegurar o atendimento às necessidades de mobilidade acadêmica intrainstitucional.
Pautas Gerais (Nacionais e Internacionais)
1. Pelos 10% do PIB nacional para Educação, já.
2. Fim das Parcerias Público-Privadas (PPPs).
3. Pelos 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, saúde e cultura, já!!!
4. Pela não privatização dos Hospitais Universitários.
5. Apoio à luta nacional aos trabalhadores da educação.
6. Apoio @os companheir@s estudantes que tem realizado mobilizações em todo o país, em defesa da educação de qualidade.
7. Apoio à luta estudantil chilena.
11 de setembro de 2011.
sábado, 10 de setembro de 2011
Assembléia Geral Estudantil, 1º de setembro de 2011.
MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA COLETIVO DE PARALISAÇÃO DOS ESTUDANTES
| Foto: Luis Antônio |
Uma das últimas tentativas de discussão e de resolução das questões pautadas pelo Movimento Estudantil ocorreu no dia 10 de junho deste ano durante uma Reunião do Conselho de Entidades de Base da UFRB (CEB), na qual o reitor Paulo Gabriel Soledade Nacif nos apresentou, mais uma vez, seus discursos evasivos e, nos comprovou (através da quebra de compromissos firmados) o seu desdém para com os estudantes. O expresso descaso da Administração Central para o trato das questões estudantis é indignante.
Uma das ações determinadas pela Assembléia Geral foi a condução do processo de Ocupação da Reitoria e Centros e, Trancamento dos Pavilhões de Aula, o que foi executado pelos estudantes em mobilização. As aulas se encontram suspensas e se faz necessário lembrar que os problemas estruturais e administrativos são alguns dos pontos que mobilizam tal suspensão.
O movimento estudantil da UFRB possui pautas concretas no que diz respeito às mazelas que acometem a nossa Universidade e o perfil omisso da Administração Central. Seria um ultraje não reconhecer as dificuldades que permeiam e entranham as reais condições acadêmicas ofertadas e a passividade e/ou vagarosidade administrativa na defesa de uma educação de qualidade. A Administração Central vem tentando (através da omissão e deturpação de informações) criar instabilidade na base do Movimento Estudantil e descredibilizá-lo perante a sociedade, o que visualizamos com pesar. Sabemos que esta Universidade teve em sua fase constitutiva a
participação dos movimentos sociais, que propuseram e reivindicaram uma universidade popular, que surgisse compromissada com as demandas da sociedade civil, no entanto, observamos o aparente esquecimento deste compromisso.
Não estamos parados! Paralisamos as atividades na tentativa de rompermos com os perversos vícios da política de gestão universitária que nos impossibilitava de manter um diálogo. Paralisamos as atividades conservadoras de formação (aulas) para criarmos outros espaços que têm como objetivo proporcionar uma reflexão a respeito do atual estado de precariedade no qual se encontra. “Paralisar para Mobilizar!!!”. A UFRB é uma universidade que nasceu sob a tutela do programa de Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). A universidade, desde o seu surgimento, sofre diversos ataques, através de reestruturações que prejudicam a nossa formação. Sua gênese atrelada ao Reuni trouxe uma expansão, mas de forma precária. Sempre seguindo a lógica de se ofertar vagas, sem que seja garantido os recursos necessários para melhorar a qualidade da educação, incentivar a pesquisa e a extensão nas universidades e promover, por meio da assistência estudantil a permanência do estudante. Hoje, a UFRB está concretizada em 04 municípios baianos, somando um total de 32 cursos de graduação regulares e os vinculados ao Plano Nacional de Formação de Professores. A maioria absoluta desses cursos funciona de forma precária, com ausência do básico para garantir uma formação qualificada, a citar: inexistência de laboratórios, contratação de professores efetivos que possam desenvolver pesquisa e extensão, hospital universitário, políticas de estágio, quadras poliesportivas, espaços e materiais para aulas práticas, livros... Em 2008, o movimento estudantil ocupou a reitoria reivindicando melhores condições. E agora, pela segunda vez esse tipo de medida fez-se necessário.
Expressamos, novamente, que tal ação não prejudica as atividades básicas desta Universidade, pelo contrário, nós (estudantes) estamos gritando pela efetividade nas ações vitais, para que não desfaleçamos. A Administração Central tenta induzir à compreensão de que não estamos dispostos ao diálogo (lastimável engodo), nossas tentativas não são recentes e o ambiente de respeito não foi abalado pela ação do Movimento Estudantil, mas sim pelo destrato da Administração desta Universidade.
sábado, 16 de julho de 2011
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE CASAS DE ESTUDANTES - ENCE
quarta-feira, 2 de junho de 2010
MOÇÃO DE REPÚDIO AO III BAHIA AFRO FILM FESTIVAL - BAFF

Em defesa da luta negra e quilombola por terra, justiça e liberdade!
Nesta edição do III Bahia Afro Film Festival (BAFF) que ocorre nas dependências do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) em Cachoeira, mais uma vez o corpo e as representações culturais das populações negras estão sendo tratadas como mercadoria.
O filme Maria do Paraguaçu, de Camila Dutervil, que retrata a luta de uma comunidade localizada no recôncavo da Bahia, mais precisamente em Cachoeira, tem como objetivo a divulgação de um povo que luta pela permanência em seu território, sendo este a base das suas práticas culturais, que dão fundamento a existência desse grupo enquanto comunidade tradicional.
Denunciamos que no ato de exibição do filme este teve sua legenda em português substituída pelo inglês numa clara intenção de evitar que fossem evidenciados os processos de luta da comunidade, bem como os conflitos provocados pelos fazendeiros locais. Esta atitude desrespeitosa impediu que os telespectadores tivessem acesso às informações centrais do filme pelo fato de que se tratava de uma linguagem que acabou por descontextualizar o mesmo.
Salientamos que a luta pela sobrevivência desta comunidade, ganhou maior visibilidade após a certificação de auto-reconhecimento da comunidade como remanescente de quilombo expedida pela Fundação Cultural Palmares (FCP). Como decorrência, foram iniciadas, por parte dos fazendeiros, perseguições e várias investidas para desmobilizar a luta desta população que reivindica o seu direito ao título do território garantido pelo art. 68 do ADCT – Constituição Federal de 1988.
Em meio a este conflito fundiário que foi iniciado em novembro de 2005, duas lideranças da comunidade morreram em 2009, (vitimas: Maria das Dores e Altino da Cruz). Outras tantas são constantemente ameaçadas de morte.
Este festival que era visto como meio de divulgar a luta desta comunidade quilombola, decepciona. O filme não alcançou o objetivo de fortalecimento desta comunidade, uma vez que, o final deste foi exibido em inglês, perdendo seu sentido, pois, é exatamente neste momento que a informação é visualizada.
Considerando as tamanhas contradições, arbitrariedades e desrespeitos, nós assinantes viemos por meio desta Moção de Repudio, exigir que o filme em sua versão original (em Português) seja exibido neste Festival; bem como cobrar uma postura da Direção do Centro e da Reitoria da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB.
Em solidariedade e rebeldia,
- Acampamento Remanescente - Embarracados no CAHL
- Núcleo de Negras e Negros Estudantes do CAHL – NNNE
- República Quilombo
- Associação dos Remanescentes do Quilombo do São Francisco do Paraguaçu – BOQUEIRÃO
- Associação Quilombo do Orobu – Quilombo Educacional
- Coletivo de Mobilização do CAHL
ESTUDANTES OCUPAM UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
ma luta contra a educação de mercado, pois o conhecimento não deve estar a serviço da lógica do capital. Queremos uma Universidade Popular, a serviço de quem realmente a sustenta, os trabalhadores e as trabalhadoras, os oprimidos e explorados. Uma Universidade de e para todos, que produza conhecimento para a libertação, construída com o povo.sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Políticas Públicas LegislaçãoFederal Edição 004 | Outubro/Novembro 2009 Roseli Fischmann: "Escola pública não é lugar de religião"

Acordo aprovado no Senado, que estabelece obrigatoriedade do ensino religioso na rede pública, fere a Constituição Federal
Foi aprovado pelo Senado brasileiro na última quarta-feira, 7 de outubro, o acordo firmado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva e a Santa Sé, em novembro do ano passado, que estabelece a obrigatoriedade do oferecimento de ensino religioso pelas escolas públicas brasileiras. Diz o parágrafo 1 do Artigo 11: "O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação."
"Se essa lei for sancionada pelo presidente, nossa constituição será violada", afirma a professora Roseli Fischmann, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista, de São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista. Perita da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para a Coalizão de Cidades contra o Racismo e a Discriminação, responsável pelo capítulo sobre pluralidade cultural dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), coordenadora do grupo de pesquisa Discriminação, Preconceito e Estigma, vinculado à USP, e do Núcleo de Educação
O acordo assinado pelo presidente Lula com o Vaticano em 2008, que estipula a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas, foi aprovado pelo Senado. E agora?
ROSELI FISCHMANN É importante ressaltar que o documento assinado pelo presidente da República prevê vários privilégios para a Igreja Católica: benefícios adicionais em termos de verbas públicas e ações com impacto sobre a cidadania, como a supressão de direitos trabalhistas para sacerdotes ou religiosos católicos, e a inclusão de espaços para templos católicos em planejamentos urbanos. Nesta entrevista, nos interessa o artigo sobre a obrigatoriedade “do ensino religioso católico e de outras confissões religiosas”, como está no texto. Mesmo fazendo menção a outras crenças, o acordo manifesta uma clara preferência por uma religião, o que obriga as escolas a adotar uma determinada confissão, e isso é inconstitucional. O Ministério das Relações Exteriores defende a iniciativa dizendo que não há problema, já que ela apenas reúne aquilo que já existe. Mas isso não é verdade.
Esse artigo poderia ter sido corrigido pelos parlamentares?
ROSELI Eles poderiam ter rejeitado o acordo. Quaisquer propostas de ressalvas precisariam ser revistas pelo Executivo e, como o documento tem caráter internacional e bilateral, nada poderia ser mudado sem a concordância do Vaticano. Ou seja, ficamos amarrados, o que caracteriza uma perigosa interferência no processo legislativo.
Com o acordo em vigor, o que pode acontecer nas escolas?
ROSELI Em relação ao ensino religioso em escolas públicas, será instalada uma mixórdia que abre a possibilidade de interpretações discordantes. Ainda que mencionado o caráter facultativo para o aluno, está criada uma obrigatoriedade do ensino católico, o que não existe nem na Constituição nem na LDB. E a nossa Constituição está sendo violada.
Por que misturar escola com religião é ilegal?
ROSELI No artigo 19 da Constituição, há dois incisos claros. O primeiro afirma ser vedado à União, aos estados, aos municípios e ao Distrito Federal “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”. O outro proíbe “criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. Ambos são os responsáveis pela definição do Estado laico, deixando-o imparcial e evitando privilegiar uma ou outra religião, para que não haja diferenças entre os brasileiros. Ora, se o Estado é laico, a escola pública – que é parte desse Estado – também deve sê-lo.
sábado, 3 de outubro de 2009
Entrevista com um anarquista do Zimbábue
por Jon - Zabalaza Anarchist Communist Front
Um membro da Zabalaza Anarchist Communist Front esteve com Biko, militante comunista libertário da rede Uhuru Network do Zimbábue, em 10 de agosto passado, quando ele estava em Johanesburgo, na África do Sul, para assistir ao evento anual da Khanya College Winter School.
Nesta entrevista, Biko fala sobre as mudanças no campo social, político e econômico desde que o Governo de Unidade Nacional (GUN) começou sua caminhada; a situação dos movimentos sindical e estudantil; a eliminação dos gays e das lésbicas; os processos de reforma constitucional e as esperadas campanhas de violência de Zanu-PF diante das próximas eleições.
Pergunta > Poderias nos dizer como tem se modificado o panorama político, social e econômico desde que apareceu o Governo de Unidade Nacional (GUN)?
Biko < Inicialmente é necessário mencionar que está existindo um pouco de abertura do espaço democrático em termos de articulação popular, mas em termos sócio-econômicos a situação têm piorado, particularmente com a dolarização da economia. Ela teve um impacto muito mais negativo nas comunidades rurais e, com especial atenção nas comunidades urbanas, dado que 85% dos zimbabuanos estão desempregados, muita gente tem problemas para ter acesso aos dólares Made in USA.
Pergunta > Como tem reagido às pessoas em relação à entrada do MDC no governo, e em que condições estão suas estruturas?
Biko < A entrada do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, siglas em inglês) no que, preferimos chamar, governo de transição - mas que chamam governo de unidade nacional - é visto por muita gente do movimento pró-democracia como uma traição porque não ouve consultas visando esta entrada. É parte de um pacto elitista impulsionado por Thabo Mbeki (presidente da África do Sul). Nos primeiros três meses do GUN têm sido visto a Robert Mugabe desafiar abertamente o próprio acordo do GUN, acrescentando cinco ministros mais, recusando reconhecer certos ministérios que tinha feito um acordo com a direção do MDC. Assim, é amplamente visto como uma ação traiçoeira.
Pergunta > Quais desafios e oportunidades oferecem esta situação a Uhuru Network e a outros movimentos sociais?
Biko < Há agora uma clara desilusão entre os militantes de base do Movimento pela Mudança Democrática, e os ativistas comunitários são mais propensos a trabalhar com os grupos radicais que têm atacado sempre aos partidos políticos do Zimbábue.
Pergunta > Em que estado se encontram os sindicatos da Zimbabwean Congress of Trade Unions, no contexto de um desemprego massivo e distribuição do poder?
Biko < As bases do Zimbabwean Congress of Trade Unions se debilitaram ao fundirem-se a indústria no Zimbábue. Já não há um movimento que seja fundamentado em uma massa de trabalhadores no Zimbábue. Os líderes têm tomado caminhos radicais, ao decidir não se implicarem no processo de reformas constitucionais estipulados pelo acordo do GPA que guia ao Governo de Unidade Nacional. Sem dúvida até que momento serão capazes de seguir mediante as ameaças de uma greve geral, como tem insinuado no mês passado, é duvidoso devido a que sua base social de massas está debilitada.
Pergunta > Como se encontra o movimento estudantil neste contexto?
Biko < Os líderes da Zimbabwe National Students’ Union também se uniram a Assembléia Nacional Constituinte e ao Zimbabwean Congress of Trade Unions em uma campanha contra qualquer projeto de constituição que saia do processo de reformas constitucionais feito pelo GPA. A Universidade do Zimbábue permanece fechada como resultado do estado de pânico ante a mobilização dos estudantes e as suas ações, mas há uma base radical entre os estudantes dado que outros institutos e faculdades estão abertos e tem realizado uma campanha contra a privatização da educação, que está sendo seguida até pelo MDC e o governo ZANU-PF.
Pergunta > Podes falar sobre as distintas posições que tem sido tomada em relação ao processo de reforma constitucional, como a rede Uhuru Network o enfrenta ou, e, em que perspectivas isto pode afetar o futuro?
Biko < No movimento pró-democracia no Zimbábue há basicamente três posições. Uma que é a que tem tomado a Assembléia Nacional Constituinte, o Zimbabwean Congress of Trade Unions e a Zimbabwe National Students’ Union, que é uma posição de não aceitação e de campanhas contra o próprio processo. A segunda posição é a que tem sido tomada pela maioria de ONGs e organizações da sociedade civil, organizadas em particular sob a Crisis Coalition e a Organização Nacional de ONG, estas organizações têm assumido que o processo está viciado, mas que ante uma onda de protestos se conectarão com os processos consultivos governamentais e inclusive buscarão ser parte das comissões e das estruturas deste processo.
Uhuru Network tem decidido ficar a margem das estruturas da comissão, porque acreditamos que nos daríamos uma falsa esperança de que estes processos governamentais possam oferecer um caminho de liberdade para a população, opinião que não compartimos. Assim temos decidido continuar expondo as falhas no processo fazendo campanha contra ele, nas reuniões consultivas que temos tido nas comunidades ante o referendum. Esta é nossa posição que está particularmente fundamentada pelo fato de que: quando saia um esboço de constituição do processo e seja oferecido ao povo, o povo se dará conta que não é o que eles querem e pelo que tem lutado. Acreditamos que é o momento de fazer campanha contra este esboço e é daí onde buscamos tirar energia.
Pergunta > Podes nos dizer algo sobre a estrutura e as atividades da Uhuru Network, sobre seus aspectos culturais e como se combinam estes com a política?
Biko < Uhuru Network na atualidade está composta de dois coletivos, Alternative Media Collective e Toyi Toyi Artz Kollektive. Entre estes dois coletivos temos artistas e ativistas dos meios de comunicação que estão envolvidos nas comunidades. Trabalhamos em cinco comunidades ao redor de Harare (a capital do país); Chitungwiza, Glen Norah, Glen View, Highfields e Waterfalls. Temos aproximadamente 20 membros nestas comunidades, e nosso maior programa político nestas comunidades são os círculos de estudo. Assim temos os artistas e os ativistas de comunicação se envolvem nestes círculos de estudo onde construímos a política da organização.
Com respeito a nosso componente cultural, isto tem surgido particularmente devido as dificuldades nas quais trabalhamos e a repressão da liberdade de expressão. E percebemos que nossos companheiros encontram mais facilidade em expressar-se mediante a poesia e a música e outras formas artísticas, e que estas formas são utilizadas para interagir com as comunidades.
Pergunta > Como vocês lidam com os temas de gênero na rede; há um equilíbrio de gênero e existe uma cota de gênero?
Biko < Nos últimos cinco anos nossa rede esteve dominada por companheiros homens e durante o ano passado decidimos que ao reconstituir nossos círculos comunitários impulsionaríamos uma cota de 50%. Assim, agora, temos em cada comunidade um equilíbrio. Esta decisão sofreu alguma resistência por parte de alguns membros da organização, mas nos últimos dois meses acreditamos que esta política foi compreendida.
Pergunta > Qual é vossa relação com a Women of Zimbabwe Arise?
Biko < Acreditamos que Women of Zimbabwe Arise! (Mulheres do Zimbábue Levantem-se!) é provavelmente a organização de ação direta comunitária mais forte. Temos visto também sua atuação focando temas de justiça social e econômica, estamos de acordo com suas campanhas, e que uma organização no Zimbabwe tenha que estar nas ruas, e por isso colaboramos em diálogos e programas de ação direta com elas.
Pergunta > Qual é o clima de homofobia no Zimbábue; é permitida a organização dos gays, lésbicas, bissexuais e os trans, para defender seus direitos? É forte a perseguição? Como lidam com estas lutas?
Biko < As manipulações que Robert Gabriel Mugabe fez contra os gays e as lésbicas no Zimbabwe há quase dois anos levou a que as forças repressivas ponham mais e mais repressão aos gays e as lésbicas, em particular contra sua organização, Gays and Lesbians of Zimbabwe. Acreditamos que há poucos ou nenhum espaço aberto para eles e elas atualmente, porque na sociedade zimbabuense há também estigmas contra os gays e as lésbicas, que emanam das tradições conservadoras. Temos tentando forjar vínculos com Gays and Lesbians of Zimbabwe, mas a situação é tão repressiva que não conseguimos avançar em nada sobre tudo isto. [Nota: Biko disse mais tarde que não era que não tivesse saído nada de suas tentativas de fazer vínculos com GLZ, se não que estas tentativas haviam sido frustradas devido ao severo clima de repressão e ao alto nível de clandestinidade que os gays e as lésbicas do Zimbábue estão submetidos atualmente. Achava ainda, que necessitavam desenvolver uma confiança mútua para estabelecer vínculos práticos.]
Pergunta > E o que existe de luta das mulheres, há mais espaço de manobra neste aspecto?
Biko < Achamos que sim, devido ao interesse que tem existido do governo diante das campanhas de direitos das mulheres, em particular quando o Zanu-PF colocou uma mulher como vice presidente. Como resultado disto, vemos que é muito mais fácil, agora, advogar pelos direitos da mulher, mas até que grau as estruturas da sociedade tem sido reorganizadas para incluir as mulheres, não estamos seguros. Acreditamos que em geral o status da mulher na sociedade não tem mudado.
Pergunta > Que cenários visualizas serem prováveis para o próximo ano, e como se pode demonstrar a solidariedade internacional de forma prática?
Biko < Os processos de reforma constitucional no Zimbábue tem levado ao colapso das estruturas do MDC, e também como conseqüência das campanhas violentas que o Zanu-PF tem dirigido contra os ativistas militantes das comunidades. Como resultado acreditamos que o MDC como partido é impotente para opor-se aos planos de Zanu-PF em torno da reforma constitucional. Acreditamos que o resultado do atual processo de reforma constitucional não está dirigido para o povo e, portanto não será aceito por ele.
Há poucas entidades que estão se organizando contra este processo, e cremos que se dará uma situação polarizada quando se convoque o referendum. Com o resultado Zanu-PF voltará a realizar outra campanha sangrenta. O referendum será seguido de eleições gerais e o Zanu-PF ainda não está preparado para isto, não desmantelou o seu maquinário repressivo. Assim que provavelmente veremos mais do que vimos no ano passado com relação às eleições gerais no Zimbábue.
As prioridades do momento no Zimbábue é a de reforçar as estruturas dos movimentos e prepará-los para a autodefesa e também a de fazer alianças estratégicas que reforcem todo o movimento pró-democracia. Com relação à solidariedade internacional, achamos, que deveria ir mais na direção ao reforço destas estruturas, em particular, quem sabe, através de despertar e aprofundar a consciência política dos companheiros. E suponho que a literatura e os materiais educativos serão úteis para isto. E também, nós necessitamos permanecer conectados, em particular em solidariedade contra a repressão que prevemos para o ano que vêm.
Agência de Notícias Anarquistas-ANA
