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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

[Turquia] Manifestação pede a libertação de punks detidos em Aceh

Um grupo de punks e anarquistas organizou neste domingo (25 de dezembro), ao meio-dia, um protesto em repúdio à prisão de 65 punks na província de Aceh em frente ao Consulado da Indonésia em Istambul.

Com faixas e gritando slogans eles pediam a libertação dos punks detidos em Aceh sem acusações formais. Na ocasião os manifestantes também atacaram alguns carros de luxo e picharam a fachada do Consulado, que está localizado num bairro de elite. 

Na noite anterior, sábado (24 de dezembro), ainda em Istambul, foi realizada num bar local uma gig punk/hardcore de solidariedade aos jovens punks detidos em Aceh e contra o terrorismo policial-estatal.

Galeria de imagens: 

Vídeo: 

 
Notícia relacionada:


agência de notícias anarquistas-ana

[Grécia] Expropriações em supermercados, guerra a patronal

[No sábado, 24 de dezembro, dezenas de anarquistas dos bairros da metrópole se reuniram no bairro ateniense de Peristeri, cortaram uma avenida central, desfraldaram faixas e expropriaram artigos em dois supermercados locais. Na sequência, gritando slogans, foram ao vizinho mercado e distribuíram todo material expropriado para a população. As pessoas aceitaram a ação de uma maneira muito acolhedora. A seguir o texto que foi distribuído.]

Expropriações em supermercados, guerra a patronal
Hoje em dia não há nada mais frustrante do que ver os patrões continuando com a mesma série de mentiras, como se nada tivesse acontecido, como se nos esperava um futuro brilhante sob o capitalismo. Como se a ofensiva que estamos vivendo fosse um simples parênteses devido a alguns políticos corruptos, e não todo o sistema de exploração. E agora que alguns tecnocratas-banqueiros se encarregaram, já oficialmente, da gestão da "nação", tudo vai ser resolvido num passe de mágica, basta que tenhamos "paciência", que façamos mais sacrifícios, que baixemos diariamente a cabeça... Nós, os trabalhadores, os desempregados, os estrangeiros. Nós, os oprimidos, e em nenhum caso o Capital e seus mecanismos.

E agora, mesmo sob essas circunstâncias, em que o conto do consumo sem fim e o capitalismo têm um lugar onde tudo acabou, nos chamam novamente para que ponhamos nossa roupa formal, para irmos correndo para as lojas para comprar, comprar, comprar, ou pelo menos lembrar os dias em que podíamos fazer isso com dinheiro emprestado. Nos chamam para que montemos uma festa de Natal, esquecendo conscientemente que amanhã nos esperam novas medidas, mais humilhação e que, embora resistamos, cada amanhecer será pior.

Este mundo, que sob a brilhante luz tem escondido a degradação constante de nossas vidas, não se reforma. Tem que ser derrubado, e não há uma solução pronta para derrubá-lo.

A confrontação das consequências e as condições geradas pelo funcionamento da máquina capitalista, em tempos de crise ou de desenvolvimento, requer a criação de estruturas de solidariedade mútua entre os oprimidos. De estruturas que apóiem as práticas de enfrentamento e lutas de classe. De estruturas que respondam a satisfação coletiva das necessidades diárias de todos e de todas, e cada um de nós.
Solidariedade, auto-organização, Contra-ataque

Trabalhadores, Desempregados dos bairros da metrópole

agência de notícias anarquistas-ana

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Onda repressiva contra o anarquismo ibérico

Nesta quarta-feira (14) a companheira Tamara foi condenado a 8 anos de prisão. Ela é acusada de enviar um pacote-bomba a Albert Batlle, secretário de Serviços Penitenciários da Catalunha, no marco de uma campanha pela liberdade de Amadeu Caselles. Está detida desde 15 de dezembro passado. Em princípio, o promotor pedia 12 anos de prisão por tentativa de homicídio e posse de explosivos.
 
Mais infos sobre o seu caso aqui:
 
 
 
Após a decisão das autoridades judiciais ocorreram manifestações de apoio a Tamara em Sevilha, onde foi colocado banners em diferentes acessos da cidade e ações em Barcelona, ​​onde vários contentores de lixo foram arrastados e queimados em plena rua. Também aconteceram ataques em algumas agências bancárias e pichações em Valência.
 
Mas hoje, dia 16, foi divulgada pela imprensa corporativa a notícia da prisão do companheiro José Lopez Mendendez, de 30 anos, por supostamente ter colocado nada menos que 32 bombas em Madri nos últimos dois anos. Segundo a polícia: A maneira de realizar os ataques era “bastante rudimentar”, mas sempre conseguia atingir seus objetivos. Embebia um cobertor num líquido inflamável e colocava para secar. Depois cobria com o cobertor cilindros de Campingaz ou spray de gás para recarga de isqueiros. Isso produzia explosões de intensidade moderada, mas capaz de destruir a entrada dos locais que tinha como alvo.
 
Esta notícia deixa no ar muitas perguntas, e como de costume apenas foi conhecida a versão policial dos acontecimentos. Tudo isso exatamente num momento em que são previstas grandes manifestações em Madri. Sem ir muito longe, em 18 próximo haverá inúmeras manifestações contra a privatização, e no dia 29 uma jornada de luta e agitação para uma greve geral.
 
Também o sindicato CNT [anarcosindicalista] recebeu uma denúncia da organização de extrema-direita HazteOir, pela campanha feita contra a visita do Papa em agosto passado. MasLibre.org (uma associação que depende HazteOir), acusa este sindicato de:
 
• Provocação ao ódio e à violência por motivos religiosos - artigo 510 do CP;
 
• Reunião ou manifestação ilegal - artigos 513 e 514 do CP;
 
• Contra os sentimentos religiosos - artigo 525.1 do CP;
 
• Apologia do terrorismo - artigos 571 e seguintes do CP;
 
• De genocídio, tal como definido no artigo 607.2 do CP.
 
 
agência de notícias anarquistas-ana

domingo, 17 de julho de 2011

Revolução Espanhola: Eles Passaram...


Carlos Baqueiro
(cbaqueiro@terra.com.br)

 Há 75 anos atrás, no mês de julho de 1936, o povo espanhol saia para as ruas, contra um Golpe de Estado executado pelos militares, liderados pelo General Francisco Franco, que era apoiado pela Igreja Católica, parte da burguesia e latifundiários.

O povo, literalmente, sai as ruas de Barcelona, de Valença, de Madrid, liderados principalmente por marxistas, trotskistas e anarquistas. Mas também saiu as ruas nas pequenas aldeias, e vilas. Montavam barricadas e, armados, chegaram a tomar as prefeituras, os quartéis e órgãos públicos, e também as igrejas.

Enquanto as Forças Armadas tomavam a Galícia, e outras as regiões ao norte, e também a Andaluzia, ao sul, aqueles que lutavam contra o Golpe, tentando manter viva a democracia conseguida a muito custo com a queda da Monarquia alguns anos antes, mantinham a Catalunha e a a região de Castela, dentre outras menores.

A "Nova República" tentava sobreviver com apoio de trabalhadores urbanos e camponeses, de parte da burguesia espanhola, e de toda a esquerda. Mas em pouco tempo as alianças que permitiram a resistência contra Franco foram se dissipando. A falta de apoio de países como França e Inglaterra (que talvez tivessem mais medo de uma vitória da esquerda do que dos fascistas, mesmo com a Alemanha e a Itália  apoiando os golpistas sem qualquer ressalva), foi um fator preponderante.

Durante o processo o qual alguns chamam de Guerra Civil e outros de Revolução (dependendo dos desejos ideológicos), a União Soviética, sob o governo de Stalin, resolve enviar armas para a esquerda. Mas direciona as mesmas para o Partido Comunista. O PC inicia assim uma tentativa de tomar a hegemonia da “Revolução”, a partir do poder que conseguiu com as armas mais modernas mandadas por Stalin.

Os fatos começam a tomar rumos absurdamente complexos. Inicia-se uma guerra dentro da guerra. As esquerdas que não recebem armas (anarquistas e trotskistas) se revoltam contra o PC. Ve-se tiroteios entre anarquistas e comunistas nas ruas de Barcelona, pelo poder do edifício dos Correios. Trotskistas são presos em Madrid e levados para Edifícios Prisões criados por aqueles apoiados por Stalin.

A burguesia e a aristocracia espanholas, que se escondiam dentro das cidades ainda republicanas, aparentando uma humilde aceitação da atual condição, com suas roupas velhas e encardidas, como diria George Orwell, em suas lembranças no texto Homenagem a Catalunha, também contra-atacariam tomando as cidades que haviam resistido aos ataques franquistas.

Nas Vilas do interior as Igrejas, que haviam sido tomadas pela população local, e se transformaram em hospitais e escolas, eram retomadas pelos padres e freiras fascistas, que eliminavam facilmente as milícias de esquerda, enfraquecidas com as confusões ideológicas e lutas reais que ocorriam entre os grupos que as formavam.

A “Revolução” foi derrotada. O povo teve de voltar aos seus afazeres comuns. As velhas escravização e alienação. Inclusive indo as Praças logo após a queda do governo eleito democraticamente, para saudar Franco e seus apoiadores, servindo de massa de manobra.

A derrota foi tão humilhante, e a repressão tão feroz após a vitória dos golpistas, que o Generalíssimo Franco ocupou o poder supremo na Espanha até a sua morte, em 1975.

A crise de incompreensão sobre a derrota, os medos pelos conflitos ideológicos entre filhos e pais, entre irmãos e primos, foi tão grande que o historiador Pierre Broué, em Seminário sobre a Guerra Civil Espanhola, ocorrido em Salvador, na década de 90, ainda afirmava haver um receio de pesquisadores espanhóis estudarem sobre os fatos e acontecimentos ocorridos entre 1936 e 1939.

Há poucas semanas atrás estudantes e trabalhadores espanhóis também sairam as ruas e tomaram as praças, pretendendo defender os ganhos que haviam conquistado nessas últimas décadas sem o autoritarismo franquista. Os jornais que li relembravam, fazendo analogias, ao Maio de 1968 francês.

Naquele momento, não vi qualquer referência ao Julho de 1936. Infelizmente.

**********************

Como opção para aqueles que desejam saber um pouco mais sobre a Revolução Espanhola faço duas sugestões:

O livro Espanha Libertária: A Revolução Social Contra o Fascismo.

e

O filme Terra e Liberdade, de Ken Loach.
(não achei nem venda de DVD, nem qualquer local para Download na Internet, portanto dê uma andadazinha até a locadora mais próxima em nome da lembrança de uma história e tanto
 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Entrevista à Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

A Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) é uma organização específica anarquista da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Fundada no dia 30 de agosto de 2003, a FARJ identifica suas origens na atuação de militantes como Ideal Peres (1925-1995), seu pai Juan Perez Bouzas (ou João Peres) (1899-1958), José Oiticica (1882-1957) entre outros. Também possui referências nas organizações políticas como a Aliança Anarquista, fundada em 1918, e o Partido Comunista libertário, fundado em 1919 (não confundir com o Partido Comunista reformista e eleitoral fundado em 1922). Possui também referências históricas nos sindicatos influenciados pelos anarquistas no início do século XX, como a Federação Operária do Rio de Janeiro (FORJ), fundada em 1906, em todo o caminho de busca do “vetor social do anarquismo” das décadas de 40, 50, e nas atividades pós-ditadura militar. 

Realizada por Jonathan Payn
(Frente Anarquista Comunista Zabalaza – ZACF, África do Sul)

Agosto a outubro de 2010

 
Jonathan (Jon): Para os leitores não familiarizados com o conceito de dualismo organizacional, vocês poderiam explicar por que a necessidade de construir uma organização política anarquista no Rio de Janeiro? E que tipo de processo que vocês tiveram que atravessar para chegar a essa conclusão e para formar a FARJ?
 
Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ): O termo dualismo organizacional, como se utiliza em inglês (organizational dualism) serve para explicar a concepção de organização que defendemos, ou o que classicamente se chamou da discussão entre “partido e movimento de massas”. Em suma, nossa tradição especifista, tem suas raízes em Bakunin, Malatesta, Dielo Truda, Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e outros militantes/organizações que defenderam essa diferenciação entre os níveis de organização. Ou seja, um nível amplo que chamamos de “nível social” que é composto pelos movimentos populares e o que chamamos de “nível político” que é composto dos militantes anarquistas que se agrupam sob bases políticas e ideológicas definidas. 

Esse modelo baseia-se em algumas posições: de que os movimentos populares não podem estar dentro de um campo ideológico definido – e, nesse aspecto, nos diferenciamos dos anarco-sindicalistas, por exemplo; que eles devem se organizar em torno das necessidades (terra, teto, emprego, etc.) agregando amplos setores do povo. Esse é o nível social ou dos movimentos de massa, conforme se chamou historicamente. O modelo também sustenta que para o trabalho nos movimentos, não basta estarmos dissolvidos, ainda que nos reconhecendo como anarquistas, dentro deles. É necessário que estejamos organizados, constituindo uma força social significativa que nos facilitará a promoção de nosso programa e também da defesa dos ataques de adversários que possuem outros programas. No entanto, deve-se ter em mente que não defendemos que se participe de um ou outro nível; os anarquistas também são trabalhadores e fazem parte desse amplo conjunto que chamamos classes exploradas e, portanto, eles se organizam, enquanto classe, nos movimentos sociais. Ainda assim, como esse nível de organização possui suas limitações, os anarquistas também se organizam no nível político, enquanto anarquistas, como forma de articular suas idéias e trabalhos. 

A chamada organização específica anarquista não é nenhuma novidade no movimento anarquista. Suas origens estão na própria militância de Bakunin no seio da Primeira Internacional com a formação da Aliança da Democracia Socialista em 1868. Malatesta, desenvolvendo a tese da minoria ativa de Bakunin, também pensou em algo semelhante. Da mesma forma os russos exilados do Dielo Truda e a FAU, entre tantos outros. Este agrupamento específico de revolucionários antiautoritários baseia-se nas posições sobre os horizontes (objetivos), estratégias e táticas comuns. Ou seja, a organização específica anarquista não é nenhuma “invenção” recente, mas possui sua trajetória na consolidação do próprio anarquismo enquanto uma ferramenta revolucionária, remontando à atuação de Bakunin. 

No desenrolar histórico do movimento anarquista, esta posição foi preterida em diversos países em detrimento de uma posição que dizia que o “sindicalismo” (que abarcava o conjunto dos movimentos sociais) se bastava. Para nós não. Acreditamos que o dever da organização específica anarquista, o que Malatesta chamou de “partido” anarquista, é articular as forças dos anarquistas em torno de uma proposta em comum e estimular que os movimentos sociais avancem cada vez mais para além das suas reivindicações, podendo forjar as bases de uma transformação revolucionária. 

É importante frisar que o dualismo organizacional não pressupõe uma relação de subordinação ou hierarquia entre as duas instâncias mencionadas. Na compreensão do anarquismo, a organização específica anarquista e os movimentos sociais são complementares. A relação da organização específica anarquista pressupõe uma relação ética e horizontal, que implica não haver relação de hierarquia nem de domínio sobre as instâncias que esta participa. 

No Rio de Janeiro, os chamados anarquistas organizacionistas tentaram fundar organizações específicas anarquistas duas vezes; mas a repressão adiou seu projeto. Esses companheiros intuíam que o refluxo do sindicalismo revolucionário poderia também condenar o anarquismo. E foi exatamente o que ocorreu. O sindicalismo não se “bastou” e com o esvaziamento do sindicalismo revolucionário, o anarquismo entrou em crise, já na década de 30. Na década de 40 e 50, os companheiros do Rio de Janeiro (e também de São Paulo) fundam suas organizações específicas, mas estão completamente isolados dos movimentos sociais e se organizam para reverter este quadro. 

Na década de 60, o golpe militar e as condições do movimento anarquista postergaram o projeto da organização específica anarquista no Rio de Janeiro. Com o movimento completamente destroçado pelos anos da ditadura, as décadas de 80 e 90 foram décadas de aglutinação de novos e velhos militantes, feita principalmente pelo trabalho incansável e paciente de Ideal Peres. Era hora não só de retomar velhos debates, mas também as experiências de luta importantes que os anarquistas empreenderam, mesmo que não necessariamente agrupados em torno de uma estratégia comum (ocupações, grupos de educação popular, presença em sindicatos, etc). 

No início de 2001, entendemos que era o momento de dar um salto qualitativo, saindo do modelo de “centros de cultura” em torno dos quais vínhamos nos organizando desde os anos 1980 e conformar uma organização política mais adequada para o trabalho com os movimentos. Isso vinha se tornando cada vez mais evidente; era o caminho que deveríamos seguir. Tínhamos algumas experiências com trabalho social e com a decisão de que o anarquismo deveria ter por função impulsionar as lutas populares tornou-se evidente que deveríamos buscar algo com mais organicidade, com mais coesão, enfim, um instrumento que permitisse aprofundar o trabalho da maneira que se mostrava necessária. 

Foi então que diversos militantes do movimento anarquista no Rio de Janeiro se reuniram com a intenção de discutir a proposta de fundar uma organização. Eles já tinham certa experiência na militância social, mas faltava discutir qual seria o nosso modelo de organização. Um dos grupos se retirou do processo e resolveu fazer suas próprias discussões separadamente. Posteriormente fundaram a Federação Anarquista Insurreição, que depois se chamou UNIPA (União Popular Anarquista). O grupo que permaneceu e continuou com as discussões constituiu a FARJ em 2003. É importante ressaltar que a FARJ foi conseqüência de um acúmulo de no mínimo uma década anterior, de presença de anarquistas em diversos movimentos sociais no estado do Rio de Janeiro. 

Jon: Como vocês vêem seu papel – o papel da organização específica anarquista em relação aos movimentos sociais?
 
FARJ: O papel da organização específica anarquista é atuar como um catalisador das lutas sociais. Não acreditamos que as organizações políticas devam guiar as lutas ou dirigi-las, como reza a cartilha do marxismo-leninismo. A concepção de minoria ativa de Bakunin nos é muito grata neste sentido. A minoria ativa não impõe, não domina, não estabelece relações de hierarquia ou de mando dentro dos movimentos sociais. 

O papel da organização específica anarquista nos movimentos sociais também não é de ir a reboque de todas as posições dos movimentos que integra, mas de difundir e influenciar os movimentos com práticas libertárias (ação direta, autonomia, autogestão, etc), sem “doutrinarismos”. 

Isto implica uma enorme responsabilidade e pressupõe uma relação ética com estes movimentos. Isto também nos conduz ao inevitável papel de contribuirmos com a luta contra qualquer tipo de aparelhamento dos movimentos sociais, combatendo a burocracia, estimulando a organização interna do movimento, e trabalhar para que os movimentos caminhem sempre com suas próprias pernas. 


Baixe o Programa da FARJ:  



Livros em PDF da Editora Faísca

Livros em PDF da Editora Faísca

Friday, October 1st, 2010
SOBRE A POLÍTICA DE ALIANÇAS – Problemas em torno da construção de um pólo libertário de luta

José Antonio Gutiérrez Danton



Para baixar o PDF do livro, clique aqui.
DA PERIFERIA PARA O CENTRO – Sujeito Revolucionário e Transformação Social

Felipe Corrêa



Para baixar o PDF do livro, clique aqui.
REVOLUÇÃO CUBANA – Mais à esquerda que o Castrismo

Júnior Bellé



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POLÍTICA ANARQUISTA E AÇÃO DIRETA

Rob Sparrow



Para baixar o PDF do livro, clique aqui.
DE MOVIMENTO A PARTIDO POLÍTICO – Notas sobre alguns Movimentos Verdes Europeus

Janet Biehl



Para baixar o PDF do livro, clique aqui.
EM TORNO DA VIGÊNCIA DO SOCIALISMO LIBERTÁRIO / DEFINIÇÕES DE UM COMPANHEIRO

Gerardo Gatti



Para baixar o PDF do livro, clique aqui.
FEMINISMO, CLASSE E ANARQUISMO

Deirdre Hogan
Revolutionary Anarcha-Feminist Group (RAG)




Para baixar o PDF do livro, clique aqui.

DOMINGOS PASSOS: O “BAKUNIN BRASILEIRO”

Renato Ramos & Alexandre Samis




Para baixar o PDF do livro, clique aqui.
HUERTA GRANDE – A IMPORTÂNCIA DA TEORIA

Federação Anarquista Uruguaia – FAU



Para baixar o PDF do livro, clique aqui.
O QUE É IDEOLOGIA? Federação Anarquista Uruguaia – FAU


Para baixar o PDF do livro, clique aqui.
ANARQUISMO E ANARQUIA
Errico Malatesta



Para baixar o PDF do livro, clique aqui.

O QUE É ANARQUISMO?

Nicolas Walter



Para baixar o PDF do livro, clique aqui.

domingo, 5 de junho de 2011

do Chile: Informação atualizada sobre o que acontece com Luciano Pitronello

Comunicado: 
Luciano Pitronello

 
Luciano Pitronello [conhecido também como Tortuga, Tartaruga] foi transferido no dia de ontem (2), com risco de vida, desde a Posta Central até a Clínica Indisa, na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), que é mantida sob constante vigilância da polícia. Luciano recebeu o apoio de algumas pessoas que vieram para o hospital antes dele ser transferido, gritando algumas palavras de ordem e mantendo o clima de tensão devido à presença da polícia. 
 
Tortuga ainda permanece em coma induzido e a sua família pediu expressamente que não se entregue nenhum tipo de informação à imprensa. 
 
A informação do seu estado de saúde é reservada, a clínica é proibida de falar sobre o assunto. Sabemos que, para além da amputação das mãos, ele teria realizado um exame de córneas, que respondeu de forma positiva e com indícios que possa não existir perda total da visão. Além das queimaduras em seu corpo e rosto, tem queimaduras graves nos pulmões devido à inalação de ar quente, comprometendo as vias respiratórias. 
Luciano Pitronello sendo transferido
 
A noite do dia de ontem foi encontrada a motocicleta em que Luciano alegadamente chegou à cena da ação com outra pessoa para executar o ataque. Esta foi transferida pelo GOPE (Grupo de Operações Policiais Especiais), e está sendo periciada. 
 
Enquanto tentam vinculá-lo com os companheiros e companheiras implicados no “Caso Bombas”, notamos o desespero do governo para tentar tirar o máximo de proveito do episódio. A imprensa, como sempre, tem sido responsável pela publicação de notícias com o fim de preparar o terreno para a repressão. Tortuga é uma pessoa de idéias e convicções, e não um link de uma suposta associação. 
 
Solidariedade com o companheiro Luciano. 
 
Força! 
 
agência de notícias anarquistas-ana

Imagens Youtube 

 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Conselho Indigena Popular de Oaxaca - Ricardo Flores Magón

   Hermanos y hermanas:

Nuestro corazón magonista se encuentra triste y enojado porque la justicia no llega a nuestras comunidades, al contrario los gobiernos nos fabrican delitos mas graves para mantenernos encarcelados y dejemos de luchar por nuestros derechos y nuestra madre tierra.

A mas de un mes de que nuestro hermano zapoteca Pablo López Alavez fuera secuestrado (el 15 de agosto de 2010) por hombres encapuchados y armados en presencia de sus familias y un día después encarcelado en el Penal de Villa de Etla, bajo la fabricación del expediente penal 102/2007 por los delitos de homicidio calificado con ventaja y tentativa de homicidio calificado con ventaja.

Pablo López Alavez, comunero de San Isidro Aloapam, comunidad zapoteca de la Sierra Juárez, se ha distinguido por la defensa del bosque que desde tiempos de sus abuelos han cuidado y preservado su territorio para evitar invasiones y  desde hace mas de 20 años en contra de los talamontes de San Miguel Aloapam que con la complicidad de la SEMARNAT y CONAFOR quienes participan de las ganancias millonarias de la venta de madera sin que les importe la muerte del bosque y con el la vida y subsistencia de su comunidad de San Isidro Aloapam. Por tal motivo en el año 2000 cuando era parte de la autoridad del pueblo fue acusado y preso junto con otros 10 comuneros bajo los delitos prefabricados de Ataques a las vías de comunicación exp.36/ 2000 y de robo de madera que haciende a cerca de tres millones de pesos, exp.123/2000 cuando su delito era detener la tala del monte.

         En este expediente como los anteriores se encontraron serías irregularidades en las constancias que integran la averiguación previa 276(II)2007 instruida por el agente del ministerio Publico investigador del segundo Turno de la Villa de Etla, que origino la causa penal 102/2007 que incrimina a nuestro hermano; estas inconsistencias, ilegalidades e injusticias demuestran su prefabricación, la complicidad y corrupción de las autoridades y juez encargados de impartir justicia con los paramilitares priistas de San Miguel Aloapam.

         Por lo que el día 17 de septiembre se interpuso un amparo contra el auto de formal prisión de nuestro hermano Pablo López Alavez en los Tribunales y juzgados del Décimo Tercer Circuito recayendo en el Juzgado Tercero de Distrito en Oaxaca bajo el expediente 1158/2010, por lo que les estamos pidiendo que manden cartas al juez federal Amado Chiñas Fuentes antes del 14 de octubre de 2010, día en que se llevará a cabo la audiencia constitucional contra el auto de formal prisión para que a la brevedad  posible y conforme a derecho resuelva el amparo a favor de nuestro hermano Pablo López Alavez quien esta privado de su libertad, por las siguientes inconsistencia e ilegalidades:



  1. De acuerdo con las constancias del expedientes las diligencias que el Agente del Ministerio Publico Investigador del Segundo Turno de la Villa de Etla   realizó el día 18 de junio de 2007, no tiene congruencia: la diligencia de  traslado, inspección ocular y levantamiento de cadáver la realiza a las 20:00 horas del día 18 de junio de 2007, pero al medico que le ordena su peritaje dice hace constar que a las 18:00 horas realiza la autopsia a Matildio Méndez Santiago y a las 19:00 horas al cadáver de Arturo Chávez Méndez en el panteón de San Miguel Aloapam del mismo día; lo que demuestra que no estuvo en el lugar de los hechos y da por verdadero lo que la autoridad y testigos de San Miguel Aloapam le contaron pues es irreal que a las 21:45  concluyera la diligencia en “Agua Paloma” de San Isidro Aloapam, lugar donde dicen ocurrieron los hechos, a las 21:15 iniciaba otra diligencia en la Villa de Etla, Oaxaca y a las 21:22 minutos realizara el mismo otra diligencia en San Miguel Aloapam, situación imposible dada las distancias que existen entre los lugares mencionados, lo que indica que la autoridad ministerial no realizo una investigación verdadera de los hechos ocurridos en donde murieron 2 personas y 7 resultaron heridas y acepto lo que la autoridad de San Miguel Aloapam le contó, montando testigos para inculpar a nuestro compañeros Pablo López Alavez y otros mas de la comunidad de San Isidro Aloapam.

  1. La diligencia de FE MINISTERIAL DE OBJETOS AFECTOS practicada por la Autoridad Ministerial no puede acreditar el cuerpo de los delitos que le acusan porque dicha diligencia se realizó  en la población de la Villa de Etla, a las 21:15 del 18 de junio de 2007, cuando según actas de la misma averiguación a esa misma hora y la misma autoridad actuaba en el paraje “Agua Paloma”, en San Isidro Aloapam, en el desahogo de la dirigencia de TRASLADO, INSPECCIÓN OCULAR Y LEVANTAMIENTO DE CADAVER que acabó a las 21:45 del mismo día, lo que le quita su valor probatorio, además que no demuestra que Pablo López Alavez  fuera propietario de dichos objetos.

  1.  No se acredita el cuerpo del delito porque no dicen concretamente a quien disparo e hirió, no se demuestra que nuestro hermano llevará arma o disparará; simplemente la Autoridad Ministerial da como verdad lo que dicen los testigos de San Miguel Aloapam pasando por alto que en sus declaraciones existen diferencias en esencia de cómo ocurrieron los hechos.

  1. Otra irregularidad que nos dice de la fabricación del expediente en contra de Pablo López es la declaración departe de la Guillermina Cruz Méndez , cuando hace la identificación del cadáver de Arturo Chavez Mendez el día 18 de junio de 2007 pues en dicha diligencia se advierte que antes de la llegada de la Autoridad Ministerial, el cadáver fue trasladado del lugar donde perdió la vida al campamento de San Miguel Aloapam, lo que contradice la diligencia de TRASLADO, INSPECCIÓN OCULAR Y LEVANTAMIENTO DE CADAVER, en la que supuestamente después de las ocho de la noche ordenó el levantamiento y traslado del cadáver al panteón municipal de San Miguel Aloapam.

Estas son algunas de las irregularidades que existen en la averiguación del expediente que acusa a nuestro compañero Pablo López Alavez, que demuestran que no existe una investigación real y verdadera que explique lo sucedido ese día 18 de junio de 2007 y solo se concreto la autoridad ministerial aceptar como verdad lo que las autoridades y gentes priistas de San Miguel Aloapam les contaron, tal vez porque les dieron una fuerte cantidad de dinero para que no hicieran su trabajo y acusar a Pablo López Alavez y otros comuneros de San Isidro Aloapam que se han opuesto a que se siga talando el bosque causando la erosión y la  perdida de agua lo que provoca el cambio climático, sin embargo a los paramilitares de San Miguel Aloapam gozan de total impunidad porque con la venta de la madera pueden comprar a las autoridades además que las mismas autoridades de la SEMARNAT Y CONAFOR también reciben ganancias millonarias de esas ventas pues ellos son socios de la venta madera por eso a pesar de que el bosque muere ellos siguen dando permisos para cortar árboles sin que hasta la fecha le presenten un informe del impacto ambiental que ocasiona cada anualidad que autorizan.       



Ante estos hechos llamamos a los hermanos y hermanas indígenas, a los integrantes de la otra campaña, a los hombres y mujeres del mundo, a los defensores de los derechos Humanos, a los ambientalistas, y a todas y todos a apoyarnos desde sus lugares mandándole cartas por fax o correo postal, hacer llamadas a las autoridades así mismo puedan hacer una actividad por la libertad de nuestro compañero Pablo López Alavez.


Por la Reinstitución y Libre Asociación de Nuestros Pueblos.
Consejo Indígena Popular de Oaxaca “Ricardo Flores Magón”
CIPO RFM.


Santa Lucia del Camino, Oaxaca a 5 de Octubre del 2010

Enviar cartas a las siguientes direcciones:


Poder Judicial de la Federación.
Juzgados y Tribunales Décimo Tercer Circuito.
Juzgado Tercero de Distrito en Oaxaca.
Juez: Amado Chiñas Fuentes.
Oficina Común de Correspondencia de Juzgado de Distrito.
Dirección: Av. Juárez 709 2DO. PISO Col. Centro.
Oaxaca,  Oaxaca, México. Código Postal 68000
Teléfonos: (951) 515-3600
(951) 5 18 56 13 (FAX) 5 15 66 00

Señor Presidente Felipe de Jesús Calderón Hinojosa,
República de los Estados Unidos Mexicanos

Lic. Ariadne Garcia Hernández, Directora de Organizaciones No Gubernamentales Internacionales, Comisión Nacional de Derechos Humanos de México
Dr. Raúl Plascencia Villanueva
Presidente de la Comisión Nacional de Derechos Humanos

Lic. José Francisco Blake Mora
Secretario de Gobernación
República de los Estados Unidos Mexicanos

Lic. Arturo Chávez Chávez
Procurador General de la República

Lic. Ulises Ruiz Ortiz
Gobernador Constitucional del Estado de Oaxaca

Lic. Ma. De la Luz Candelaria Chiñas
Procuradora General de Justicia del Estado de Oaxaca




LIBERTAD A LOS/AS PRESOS/AS INDIGENAS DEL CIPO-RFM "VIVA LA AUTONOMÍA" visite nuestra pagina: www.nodo50.org/cipo  Consejo Indígena Popular de Oaxaca "Ricardo Flores Magón", CIPO-RFM. Calle: Emilio Carranza 210, Sta. Lucía del Camino Oaxaca, México. tel: +(951) 51-78183 y +(951) 51-78190 mail: cipo@nodo50.org, mujercipo@hotmail.com, los_magoneros@hotmail.com
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Entrevista a Abdennur Prado, autor de "Anarquismo e Islã"

[Durante anos, Abdennur Prado trabalhou e refletiu sobre o Islã, que não se costuma falar ou conhecer. Nesta ocasião, reflete sobre anarquismo e islamismo. Presidente da Junta Islâmica Catalã, diretor do Congresso Internacional sobre Feminismo Islâmico e editor do Webislam, Abdennur tem escrito livros e artigos sobre o feminismo, os direitos civis, a perseguição de minorias... Em seu último livro - O Islã e o Anarquismo místico (Vírus editorial) - Abdennur oferece uma perspectiva diferente do que observar da realidade e trabalhar com ela: oposições falsas geradas e mantidas pelo poder (amigos/inimigos, próprio/estrangeiro, o ocidental/o islâmico, etc.) oferecem uma visão de conflito e, portanto, não fechada.]
 
Diagonal > O livro relaciona termos como “entrega”, "servo", "submissão", com "ajuda mútua", "resistência", "coletivismo", "oposição às estruturas de poder", etc. Como você captura a relação entre o Islã, o anarquismo, e o misticismo? 
 
Abdennur Prado < A relação entre o Islã, o místico e o anarquismo vem a mim naturalmente, é algo que eu compartilho com muitos muçulmanos. Ao afirmar que o Islã é uma relação direta entre Deus e cada uma das criaturas, estamos propondo uma forma mística, que ignora qualquer mediação instituída. Para acessar o "poder matriz” que move o universo não precisamos de igrejas, conselhos ou sacerdotes... Não aceitamos que nenhum poder humano que seja, nenhum conhecimento humano, nenhuma lei humana... Podemos aceitá-las por necessidade, mas sabendo que estas são meras convenções. Eu me entrego a Deus e nessa entrega me liberto, na medida em que a faço na minha própria capacidade e compreensão. Esse é o radicalismo ao qual o Islã nos convida: assumir a liberdade do homem do deserto. E conviver com o resto das criaturas desde essa entrega, a partir da consciência, da liberdade. Não falo de grandes teorias, mas uma expressão diária. 
 
Diagonal > De acordo com a crítica de Bakunin à religião, diz que é uma crítica de sua ordem hierárquica, de inspiração eminentemente cristã. Você não vê essa relação entre religião e Estado nos países de maioria religiosa muçulmana?
 
Abdennur < Claro que há! O conluio de religiosos com o poder mundial é um arquétipo universal, do qual não escapa qualquer tradição. Nem mesmo o Islã que, em teoria, surgiu para lidar com essa trama... Conselhos Ulemás, os clérigos a serviço com o poder, e suas conseqüências: a violência religiosa, sexismo, o patriarcado, a homofobia, a discriminação das minorias... Tudo isso acontece hoje em nome do Islã. O Islã foi gradualmente transformado em uma religião ao serviço do poder. Portanto, considero como urgente voltar ao básico, realizando a experiência da revelação, aqui e agora, e recuperar a natureza anarquista e libertária do Islã. E, principalmente, do discurso de igualdade social e da luta contra a opressão, que está na sua origem. Por isso, creio que é muito saudável para o Islã contemporâneo a crítica atéia à religião. Apesar de nada servir o materialismo grosseiro que reduz o ser humano a um consumidor-produtor, e que hoje é o melhor aliado da globalização corporativa. 
 
Diagonal > O capítulo "A revelação como revolução" considera que a revelação é uma revolução individual e coletiva. Esta tensão entre o individual e o coletivo que há no anarquismo, também está presente no islamismo?
 
Abdennur < Antes do ovo e da galinha, há Deus. Ou seja, a “realidade” é uma, mas a nossa percepção linear e fragmentada não consegue captar todos os processos. Estamos separados por nosso ego limitado, por nosso egoísmo, e não somos capazes de nos reconhecermos no outro. Por isso, precisamos da revelação: entrar em comunicação com a "realidade" diretamente. Nesse sentido, a revelação é a única força capaz de romper com o nosso solipsismo das criaturas, e tornar-nos disponíveis uns para outros. A tensão entre o indivíduo e a coletividade se resolve na comunidade, como espaço em que cada um ocupa o seu lugar naturalmente. Isso é a prova de que temos realmente deixado o nosso egoísmo, sem renunciar àquilo que somos. Por isso é tão importante opor a idéia de comunidade à idéia do Estado, ou de macro estruturas de poder, em que somos engolidos pela massa. 
 
Diagonal > Para além do interesse e desejo de discutir que desperta sua leitura, o que você pensa que o Islã como anarquismo místico pode trazer ao debate sobre as lutas antiautoritárias?
 
Abdennur < Seria pretensioso para eu destacar algo... Em qualquer caso, a partir de uma perspectiva libertária, há sempre um prazer em dinamitar tópicos, em explodir em pedaços barreiras mentais herdadas, e trazer novas possibilidades. De minha parte, tenho cada vez mais claro que o que distingue os seres humanos não é se consideram crentes ou descrentes, nem os rótulos que nos "identificam". Tenho claro que diferentes anarquistas são mais dignos representantes dos valores do Islã que muitos supostos muçulmanos. E eu vi uma verdadeira consciência libertária em comunidades muçulmanas sem sequer saberem que eram anarquistas... 
 
Diagonal > Qual é o estado de saúde do movimento feminista islâmico? Que tarefas desempenha como co-diretor do Congresso Internacional de Feminismo Islâmico?
 
Abdennur < O feminismo islâmico é uma realidade emergente. Agora ele funciona de várias formas: re-leitura do Alcorão, com uma perspectiva de gênero, sensibilização e divulgação para as bases, a reforma dos códigos de família patriarcal, o reforço das redes transnacionais, a colaboração entre crentes e descrentes feministas, e assim por diante. Esta é uma tarefa gigantesca, impossível de resumir aqui. Como co-diretor do Congresso, me limito a atuar como um facilitador. Não tentamos apresentar o feminismo islâmico como um movimento monolítico, nem confirmar o nosso ponto de vista anterior, mediante a seleção de oradores, mas para reunir diferentes perspectivas e contextos. 
 
Diagonal > O que diz o Alcorão sobre a homossexualidade?
 
Abdennur < Apesar do que se pretende, insisto que o Alcorão não diz nada sobre a homossexualidade... É verdade que, tradicionalmente, têm-se interpretado as passagens sobre o povo de Lot como uma condenação da homossexualidade, mas isso não resiste à mais mínima análise. Primeiro, porque o Alcorão não menciona o amor entre dois homens, mas a promiscuidade desenfreada e ao estupro. Há alguns que confundem um com o outro, mas isso só mostra até que ponto os preconceitos herdados se projetam sobre a leitura do Alcorão. Por outro lado, existem alguns versículos que sugerem uma aceitação da homossexualidade. 
 
“Atração e raiva” 
 
"Webislam é um exemplo de muitas das coisas que eu tentei mostrar neste livro. Esta não é uma militância anarquista, mas uma comunidade interpretativa, baseada na fraternidade e ajuda mútua em que não há hierarquias artificiais. Desta plataforma, fomos capazes de desenvolver um discurso islâmico contemporâneo, crítico e criativo, tanto sobre o poder constituído como com as estruturas religiosas conservadoras. Daí a atração e raiva que gera... Webislam é o marco no qual desenvolvo a minha visão do Islã como o anarquismo místico". 
 
Fonte: Diagonal 
 
agência de notícias anarquistas-ana