Anarquimo

quarta-feira, 18 de março de 2009

Como escapar do serviço militar 13/03/2009


Caio Maniero D’Auria é um enxadrista. Calculista. Paciente. Insistente.
Irritante, até. Graças a essas características, tornou-se, aos 22 anos, o primeiro brasileiro dispensado do serviço militar obrigatório por
“razões políticas e filosóficas”. Na prática, significa que ele foi dispensado sem nem precisar jurar à bandeira. Para muitos, a formalidade é apenas um detalhe. Para ele, uma batalha de quase cinco anos de duração em defesa da “liberdade”.

Todos os anos 1,6 milhão de jovens alistam-se e cerca de 100 mil são incorporados ao Exército, à Marinha ou à Aeronáutica (em 2008 foram 80
mil), segundo o Ministério da Defesa. Desses, 95% declararam no alistamento desejo de servir. Os que não queriam, foram convocados por ter alguma habilidade necessária à unidade militar da região. “A Estratégia Nacional de Defesa pretende alterar esse quadro, de modo a que o serviço militar seja efetivamente obrigatório, e passe a refletir o perfil social e geográfico da sociedade brasileira”, anuncia o Ministério da Defesa, sem dar detalhes de como isso será feito.

Por ora, a única exigência feita para os dispensados é uma pastosa cerimônia de Juramento à Bandeira, tão esvaziada quanto a obrigação de executar o Hino Nacional antes das partidas de futebol em São Paulo. Ninguém reclama. Caio recusou-se.

Determinado a encontrar um meio válido de não jurar à bandeira, entranhou-se nas leis militares. Telefonou para o Comando Militar do Sudeste e soube que podia pedir para prestar um serviço alternativo e que, por não haver convênio firmado, isso resultava na dispensa automática. “Mas a secretária da Junta Militar me falou que só Testemunhas de Jeová podiam alegar objeção de consciência. Ela me mandou jurar à bandeira, mas eu estaria mentindo se jurasse dar a vida pela nação, pois jamais faria isso”, diz, com um sorriso tímido de quem mal deixou a adolescência.

De próprio punho, Caio redigiu uma “declaração de imperativo de consciência”, e declarou-se anarquista. A Junta Militar exigiu a declaração de uma associação anarquista confirmando o vínculo. Caio, então, contatou mais de vinte organizações em busca de, como diz, uma “carta de alforria”. Perdeu um ano nessa. “Os anarquistas brasileiros não tiveram a coragem de colocar em prática o que tanto pregam. A maioria está mais interessada em festinhas”, reclama. E pondera: “Acho que eles tiveram medo de ser fichados pelo Exército”.

Desiludido, encontrou na internet a organização Movimento Humanista. Enfim, sentiu que seria atendido. “Pregamos a não-violência e somos contra o serviço militar obrigatório”, diz Paulo Genovese, coordenador do grupo, que faz reuniões semanais e promove a Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência.

Diante de nova declaração de objeção de consciência, a Junta pediu dados dos integrantes e o CNPJ da organização. Três meses depois, foi preciso detalhar quais eram as incompatibilidades do movimento com o serviço militar.

Era janeiro de 2008. “Passei noites em claro redigindo. Fui pessoalmente entregar”, diz, satisfeito. Sustentou que os humanistas colocam “o ser humano como valor central”, enquanto os militares devem defender a pátria “mesmo com o sacrifício da própria vida”. E que o “repúdio à violência” é incompatível com o “amor à profissão das armas”.

Quatro anos e oito meses após se alistar, Caio pegou seu Certificado de Dispensa do Serviço Alternativo. Em 2008, apenas seis jovens foram eximidos por objeção de consciência. Nos últimos cinco anos, 232. Mas Caio foi pioneiro. “Nunca motivos políticos livraram alguém, o meu processo é o número 001/08. Abri um precedente e agora tenho onde lutar por minha liberdade e pela dos demais”, comemora ele, que é analista de dados de telemarketing. Há anos quer prestar concurso público. Agora pode.

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(Crédito da foto: Olga Vlahou)

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Declaração de Khaled Mashal, líder do Hamas





"Israel nos cobre com sangue, mas nos recusamos a perecer" 

Líder diz que Hamas respeitou cessar-fogo
 

Khaled Meshal, THE GUARDIAN
 

Há 18 meses, meu povo está sitiado em Gaza, encarcerado na maior prisão do mundo, isolado por terra, ar e mar, morrendo de fome, sem ter acesso nem mesmo a remédios para tratar nossos doentes. Não satisfeitos com essa política de lenta asfixia, nossos agressores optaram pelos bombardeios em uma das regiões mais densamente povoadas do planeta, onde nada foi poupado pelos aviões israelenses. Tudo foi destruído: prédios do governo, casas, mesquitas, hospitais, escolas e mercados. 

Mais de 540 palestinos morreram e milhares ficaram feridos. Um terço das vítimas é composto de mulheres e crianças. Famílias inteiras foram massacradas, algumas delas enquanto dormiam.
 

Esse mar de sangue é vertido sob um manto de mentiras e falsos pretextos. Por seis meses, nós do Hamas respeitamos o cessar-fogo, enquanto Israel descumpriu repetidas vezes o que foi acordado. Eles deveriam ter aberto as fronteiras de Gaza e estendido a trégua para a Cisjordânia. Em vez disso, os israelenses aumentaram o cerco mortal a Gaza, cortando várias vezes a eletricidade e os suprimentos de água.
 

O castigo coletivo não foi interrompido. Ao contrário, teve seu ritmo acelerado - assim como ocorreu com os assassinatos e as mortes. Trinta habitantes de Gaza foram mortos pelo fogo israelense e centenas de pacientes morreram em decorrência direta do sítio durante o chamado cessar-fogo. Israel desfrutou de um período de calma.
 

Quando a trégua se aproximava do fim, nos colocamos à disposição para negociar um acordo amplo em troca do levantamento do bloqueio e da abertura dos postos de fronteira, incluindo Rafah. No entanto, nossos pedidos recaíram sobre ouvidos surdos. Estamos dispostos, ainda assim, a negociar uma nova trégua nos mesmos termos, desde que os invasores se retirem completamente.
 

Nenhum foguete foi disparado a partir da Cisjordânia. Mas lá foram mortos 50 palestinos pelas mãos de Israel durante o ano passado, enquanto prosseguia implacável o seu expansionismo. Esperam que nos contentemos com migalhas cada vez menores de território, um punhado de subdivisões à mercê de Israel, cercadas por todos os lados pelos israelenses.
 

A verdade é que Israel busca um cessar-fogo unilateral, respeitado apenas pelo meu povo, em troca do sítio, da fome, dos bombardeios, assassinatos, incursões e assentamentos coloniais. O que Israel deseja é um cessar-fogo gratuito.
 

É absurda a lógica daqueles que exigem o fim da nossa resistência. Eles absolvem de responsabilidade o agressor e ocupante - armado com as mais mortíferas armas de destruição -, enquanto culpam a vítima, o prisioneiro, aquele que vive sob ocupação.
 

Nossos modestos foguetes de fabricação caseira são nosso grito de protesto endereçado ao mundo todo. Israel e os seus patrocinadores europeus e americanos querem que sejamos massacrados em silêncio. Mas nós nos recusamos a perecer silenciosamente.
 

O tratamento dispensado hoje a Gaza foi o mesmo dado a Yasser Arafat. Quando ele se recusou a se curvar aos ditames de Israel, foi preso em seu quartel-general em Ramallah, e permaneceu cercado por dois anos. Quando esse método se mostrou incapaz de diminuir sua determinação, ele foi assassinado por meio de envenenamento.
 

Gaza começa o ano de 2009 exatamente como o de 2008: sob fogo israelense. Entre janeiro e fevereiro do ano passado, 140 palestinos de Gaza foram mortos em ataques aéreos. E pouco antes de embarcar na sua fracassada agressão militar contra o Líbano, em junho de 2006, Israel despejou milhares de morteiros sobre Gaza, matando 240 palestinos.
 

Desde Deir Yassin, em 1948, até Gaza, nos dias de hoje, a lista de crimes de guerra de Israel é longa. A justificativa muda, mas a realidade continua a mesma: ocupação colonial, opressão e injustiça sem fim. Se este é o "mundo livre", cujos valores são defendidos por Israel, segundo alega a sua ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, então nós não queremos fazer parte dele.
 

Os líderes de Israel estão confusos e demonstram sua incapacidade de estabelecer objetivos claros para os ataques. Primeiro, pretendiam derrubar o governo legitimamente eleito do Hamas e destruir sua infraestrutura. Depois, acabar com os lançamentos de foguetes. À medida que encontram mais resistência em Gaza, suas expectativas vão diminuindo.
 

Agora, eles falam apenas em enfraquecer o Hamas e limitar nossa capacidade de resistência. Mas eles não conseguiram nem uma coisa nem outra. A população de Gaza está mais unida do que nunca, determinada a não se submeter ao terror. Nossos combatentes, armados com a justiça de nossa causa, já provocaram muitas baixas no exército de ocupação e continuarão lutando para defender nossa terra e nosso povo. Nada pode derrotar nossa vontade de ser livre.
 

Mais uma vez, os EUA e a Europa optaram por auxiliar e favorecer o carcereiro, o ocupante e o agressor, condenando as suas vítimas. Esperávamos que Barack Obama rompesse com o desastroso legado de George W. Bush, mas esse começo não parece promissor. Apesar de ter rapidamente denunciado os ataques contra Mumbai, Obama permanece mudo após 10 dias de carnificina em Gaza. Mas o meu povo não está só.
 

Milhões de homens e mulheres amantes da liberdade nos apoiam em nossa luta por justiça e liberdade - basta atentar para os protestos diários contra a agressão israelense, não apenas no mundo árabe e muçulmano, mas em todo o mundo.
 

http://www.midiaindependente.org/img/link_small.gif URL::www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090107/not_imp303526,0.php

Fonte: CMI - Centro de Midia Independente (www.midiaindependente.org)

 


sábado, 10 de janeiro de 2009

PROTESTOS EM ATENAS, GRÉCIA


[há 18 anos, num 9 de janeiro, um movimento estudantil poderoso ocupava as escolas gregas. em patras, nikos temponeras, professor do ensino secundário solidário com os estudantes, defendia a ocupação da sua escola. foi morto, espancado com uma barra de metal por um grupo de estudantes de direita, membros da nova democracia. por isso, e muito mais, eles e elas, não esquecem, protestam. presente e futuro.]

nesta sexta-feira (9) milhares de manifestantes, principalmente estudantes, tomaram às ruas da capita grega, atenas, com cerca de 20 mil pessoas protestando contra as reformas educacionais, o terrorismo de estado, a polícia, as políticas do governo de costas karamanlis... e, como de costume, aconteceram enfrentamentos envolvendo manifestantes e forças da ordem... estima-se que mais de 8 mil policiais estavam nas ruas de atenas...

um bloco anarquista muito forte com mais de 2 mil ativistas marcou presença, com bandeiras, faixas e "tudo mais"...

para quem não sabe, a região de atenas tem mais ou menos 3 milhões de habitantes, a região metropolitana de são paulo tem quase 20 milhões de pessoas... ou seja, trazendo o número de manifestantes gregos para a nossa realidade, 20 mil pessoas lá, aqui seriam cerca de 130 mil pessoas... enfim... outra realidade dos gregos... outras iniciativas, atitudes e sensibilidades para a luta, a revolta, a vida...

em outras cidades da grécia também ocorreram manisfestações... aliás, a grande mídia não divulga mais nada da "rebelião grega", mas "o bicho" continua pegando e mordendo lá desde a morte do jovem alexis... com "muita" intensidade...

em tessalônica, um grupo atacou e destruiu o escritório de uma empresa de trabalho escravo/temporário, vale a pena dar uma olhada nessa sequência de fotos, incrível: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=966453

aqui fotos dos protestos em atenas, mas tem vários outros links com imagens no cmi-atenas:
http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=966815
http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=966572
http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=965627
http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=966163
http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=966127

o idioma grego é um obstáculo, mas infos atualizadas regularmente da "rebelião grega", em inglês: www.occupiedlondon.org em castelhano, ótimo trabalho de contra-informação: http://grecia-libertaria.blogspot.com/

por fim, uma perguntinha... porque na "rebelião grega", quase sempre nas fotos que chegam de lá, vemos cachorros no meio dos manifestantes?

moésio R.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Celebra EZLN 15 años de levantamiento en Chiapas



Alrededor de 2 mil simpatizantes del Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN) celebraron la pasada madrugada en Oventic, en el sureño estado de Chiapas, los 15 años del levantamiento del grupo.

La organización insurgente planea, además, llevar a cabo del 2 al 4 de enero en San Cristóbal de las Casas una reunión con sus seguidores dentro del Festival Digna Rabia, convocado bajo el lema "Otro camino, otro mundo: abajo y a la izquierda".

En el encuentro celebrado en Oventic, población zapatista localizada en los Altos de Chiapas, hubo espacio para juegos deportivos y música, pero apenas para discursos de carácter político.

En el acto, que registró menos afluencia que otros años, solo estuvo un representante zapatista, el comandante David, quien condenó los 15 años de "mal gobierno" en México y el perjuicio que ello ha causado a los indígenas en este país.

Además, aprovechó su mensaje para emplazar a los asistentes a acudir al encuentro que comienza mañana en San Cristóbal de las Casas con motivo del 15 aniversario del alzamiento y los 25 años de la fundación del EZLN.

El estado permaneció en calma durante la efeméride, una más en la que el grupo armado ha optado por mantener un perfil bajo ante la sociedad mexicana.

El EZLN se levantó en armas el 1 de enero de 1994 y tras diez días de combates entró en un proceso de negociaciones para lograr la paz con las autoridades mexicanas.

Sin embargo, después de 15 años de aquellos hechos no se ha firmado un acuerdo definitivo en relación con un conflicto que reclamó más atención a los problemas de los indígenas y que no han podido resolver definitivamente los sucesivos Gobiernos de México.

El mayor logro ha sido la organización de las comunidades en autoproclamados municipios autónomos donde existen los "Caracoles" y las Juntas de Buen Gobierno.

Los primeros, como el de Oventic, son los centros políticos y culturales de contacto entre la sociedad civil y los zapatistas, mientras que las Juntas de Buen Gobierno son órganos de administración de los que dependen las comunidades que simpatizan con el EZLN.

José Pablo Saborío (Correspondente Internacional, desde o México)