Anarquimo

domingo, 29 de maio de 2011

Unesco considera arquivos da ditadura militar como patrimônio da humanidade



Arquivos da ditadura militar brasileira agora fazem parte da “memória do mundo”. Essa é a segunda vez que um projeto brasileiro é aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), tornando-se patrimônio da humanidade.
O projeto apresentado pelo Brasil “Rede de informações e Contrainformação do Regime Militar no Brasil (1964-1985)” foi aprovado pelo Comitê Consultivo Internacional do Programa Memória do Mundo (MoW – Memory of the World), numa reunião ocorrida em Manchester (Reino Unido), no período de 22 a 25 de maio.

Criado pela Unesco em 1992, o programa tem como objetivo preservar e difundir amplamente documentos, arquivos e bibliotecas de grande valor mundial, buscando impedir, assim, que o patrimônio da humanidade seja esquecido.
A candidatura brasileira ao Memória do Mundo incorporou acervos de fundos de órgãos centrais do Serviço Nacional de Informação (Sisni), sob a guarda do Arquivo Nacional, e de órgãos de informação dos estados da Federação, estes custodiados por arquivos estaduais ou por outras entidades parceiras do Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985) - Memórias Reveladas.

O Memórias Reveladas foi criado em 2009, e sua gestão foi confiada ao Arquivo Nacional. O centro conta hoje com 55 instituições e entidades parceiras, incluindo diversos governos e arquivos estaduais, universidades e centros de documentação, e tem por objetivo atuar como um pólo difusor de informações contidas nos registros documentais sobre as lutas políticas no Brasil nas décadas de 1960 a 1980.

A vitória da candidatura do Brasil garante visibilidade mundial a esses importantes acervos, contribuindo para a sua preservação na medida em que chama a atenção do poder público e da sociedade brasileira para a necessidade de proteger e tornar disponíveis para consulta os arquivos do período do regime militar.

Diego Rabelo - 8760-8438
Diretor JPT- Bahia


Coletivo O Estopim!"Incendiando corações e mentes"  



Por:
Viviane da Silva Santos
Graduanda em Museologia
             UFBA

sexta-feira, 27 de maio de 2011

[Grécia] Anarquista é ferido e detido após trocar tiros com a polícia em Pefki, Atenas

[Na noite da quarta-feira passada, 18 de maio, um carro da polícia tentou fazer uma blitz “aleatória” em dois anarquistas que estavam próximos a uma motocicleta na área de Pefki, em Atenas. Os dois decidiram não ficar e saíram fora, os policiais correram atrás deles e após uma perseguição curta, os dois anarquistas trocaram tiros com os agentes de segurança, ferindo dois. Mas, infelizmente, o jovem anarquista de 21 anos, Theofilos Mavropoulos (originalmente ele deu um nome falso, mas depois que a mídia e os policiais colocaram sua foto em todos os lugares ele foi identificado), também saiu ferido pelas balas dos policiais e foi preso. O outro anarquista conseguiu fugir depois de roubar a viatura da polícia, abandonando-a alguns quilômetros depois. Theofilos está agora hospitalizado, com a polícia antiterrorista em sua sala e fora dela.]
 
Comunicado dos companheiros de Theofilos Mavropoulos 
 
O anarquista revolucionário, nosso companheiro Theofilos Mavropoulos, está ferido no hospital, após um tiroteio com os malditos trastes da polícia na área de Pefki. Lá, junto com mais um companheiro, optaram por não ceder quando um carro patrulha tentou identificá-los. Durante o confronto, dois policiais foram feridos, mas também nosso companheiro. Ao mesmo tempo, o outro companheiro que estava ali conseguiu escapar usando a viatura da polícia. 
 
Theofilos é um membro ativo do movimento anarquista revolucionário e, portanto, chamamos todos os anarco-revolucionários, como toda a gente que se vê como parte de um amplo âmbito subversivo, a tomar a iniciativa de ação, com todos os meios julgados como adequados e indispensáveis, para estar ao seu lado. Neste momento o nosso irmão encontra-se ferido e trancado em um quarto vigiado pela polícia. Consideramos como algo mais importante a realização de uma concentração em frente ao hospital, onde está nosso companheiro ferido, a fim de quebrar a condição de isolamento imposta a ele e que o deixa preso aos vermes da [polícia] antiterrorista e outros serviços que estão a "cuidar" da única maneira que sabem. Por causa das dificuldades que têm a ver com o regime que estamos e com a condição na qual agimos e nos movemos; infelizmente não podemos estar ao seu lado (ou seja, no hospital), e assim poder dar força e coragem para o nosso orgulhoso companheiro. 
 
Temos que mostrar ao inimigo que nenhum companheiro não está sozinho, que a prisão de cada companheiro não ficará sem resposta, que nenhum companheiro nosso pode ser comido vivo. Porque o companheirismo e solidariedade não se definem segundo salários e cargos, e é a base para as relações que desenvolvemos e propomos, como alternativa contra as podres relações sociais dominantes. Não vemos a prisão de Theofilos à luz de uma "alta divulgação" e a asquerosa vitimização, que permite protestar contra os "maus" policiais que atiraram e feriram nosso companheiro. Aliás, à luz de tal lógica a solidariedade perde o seu sentido essencial. A postura orgulhosa do companheiro e seus valores entraram em confronto com a renúncia e rendição. Mostraram que o conflito e a guerra não têm mártires, nem aqueles que a adoram, mas alguns combatentes preparados para tudo. O tesouro que resta se torna uma arma nas mãos de todos nós. 
 
Ao lado do anarquista revolucionário Theofilos Mavropoulos! Luta pela liberdade com cada meio! 
 
PS: Igualmente, queremos enviar ao nosso companheiro um agradecimento sincero, pelas lutas que fizemos juntos, por todas as decepções e contratempos que enfrentamos, por tudo de bom e mau. Finalizando, enviamos nossa promessa referente aos compromissos informais que foram feitos, dos sonhos não realizados e os exageros. Por tudo e por nada. Agora, irmão, pode mudar a condição sob a qual você irá viver, mas não altere o estado não arrependido do seu espírito.

Leia mais:  

 
agência de notícias anarquistas-ana
 

sexta-feira, 16 de julho de 2010

MOVIMENTO DOS PESCADORES E PESCADORAS – BAHIA


Carta das Comunidades Pesqueiras e Remanescentes de Quilombos de Santo Amaro BA, em repúdio a licença de localização do mega empreendimento turístico da empresa PROPERT LOGIC no Território quilombola da ILHA DE CAJAIBA

Vimos manifestar nosso repúdio a decisão do CEPRAM – Conselho Estadual de Meio Ambiente, que no dia 30 de Junho de 2010 de forma extremamente desrespeitosa aprovou o licenciamento de localização do empreendimento turístico da empresa internacional Propert Logic. Esta empresa de capital europeu pretende instalar um mega empreendimento hoteleiro na Ilha de Cajaiba localizada na foz do rio subaé e inviabilizar o modo de vida de milhares de famílias que historicamente sobrevivem dos recursos naturais existentes na ilha através do extrativismo de frutas ou da pesca artesanal.

Tanto o IMA – Instituto do Meio Ambiente como o CEPRAM ambas instituições ligadas a Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) não respeitaram os direitos das nossas comunidades previsto na constituição federal, através do artigo 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitória da Constituição Federal / 1988, bem como os demais decretos federais e convenções internacionais assinados pelo Estado brasileiro. Ou seja, mesmo tendo ciência de que o INCRA/BA já tinha iniciado o processo de elaboração do RTID – Relatório Técnico de Identificação e Titulação do território quilombola e cientes das recomendações da Fundação Cultural Palmares a SEMA não mediu esforços no sentido de se dobrar aos interesses de empresários estrangeiros legítimos continuadores do processo de colonização do território brasilei ro.

Além disso, a SEMA foi incapaz de reconhecer que as comunidades pesqueiras e quilombolas de Santo Amaro são vitimas de decisões politicas desenvolvimentistas que resultaram em profunda degradação ambiental e social na região, a exemplo da contaminação por metais pesados oriundos da fábrica de chumbo (capital francês) e da recente degradação ocasionadas pela fábrica de papel (capital japonês). Estes exemplos não foram suficientes para que a SEMA considerasse o principio da precaução ambiental estabelecidos nas constituições estadual e federal.
Este caso é mais um ato de racismo ambiental num contexto de governo dito de todos nós. Diferentemente do que se anuncia, licenciar um mega empreendimento turístico numa Ilha historicamente utilizada pelas comunidades para sua reprodução física e cultural, reafirma que o governo da Bahia continua subserviente aos interesses das grandes empresas internacionais e contra a luta das comunidades pesqueiras e quilombolas pela manutenção dos seus territórios tradicionais.

Tendo em vista, o fortalecimento da resistência das comunidades pesqueiras e quilombolas neste pais, convocamos as entidades dos movimentos sociais, especialmente aqueles comprometidos com a resistência negra, para participar da Audiência Pública com órgãos públicos estaduais e federais a ocorrer no dia 13 de julho de 2010, a partir das 14h, no espaço do PETI – comunidade remanescente de quilombo de São Braz – Santo Amaro BA.

A resistência continua!
Salve Altino da Cruz, Maria do Paraguaçu, Zumbi dos Palmares...

terça-feira, 13 de julho de 2010

On june 6 2010, Diego Giménez Moreno, veteran of the Spanish Civil War

On june 6 2010, Diego Giménez Moreno, veteran of the Spanish Civil War, has passed away in the city of São Paulo, Brazil. He was 99 years old and had Parkinson's syndrome.



Diego Giménez was born in april 10 1911 in Jumilla, Murcia, and entered the Spanish anarchist movement after the death of his father, when he was 17. Through the Federación Ibérica de Juventudes Libertárias he got in touch with the ideas of libertarian naturism, adopting vegetarianism and drug-free living. In 1931, Diego joined the CNT and became the secretary of the local Syndicate of Graphical Arts. Five years later, he would participate in the most successful event in anarchist history, the Spanish Revolution, joining the legendary Columna Durruti in the fight against fascism. After the defeat of the popular front to the Fracoist forces, Diego was arrested and sent to the concentration camp of Mauthausen, Austria, from which he managed to escape to France. He moved to São Paulo in 1942 and became a militant of the local anarchist groups Sociedade Naturista Amigos de Nossa Chácara (Friends of Our Farm Naturist Society) and Centro de Cultura Social (Center of Social Culture).



Diego was very dear to the Brazilian anarchist movement. His speeches on the civil war and his defense of minimal consumption and sobriety had a huge influence on younger and older anarchists and anarcho-syndicalists. Some of his thoughts can be found in the books Mauthausen: Campo de Concentração e de Extermínio, Três Depoimentos Libertários, and Anarquistas: Ética e Antologia de Existências. Diego also wrote articles to the French anarchist journal Le Combat Syndicaliste. The history of his struggle remains an inspiration to the entire movement. His experience, moral strength, and character will be missed.



We must give up today's unhealthy behaviors. We are not defending our interests, but those of the capital. We must be like the snake who gets rid of her old skin in order to have a new one.

Diego Giménez Moreno



You can read an interview Diego Giménez gave to FOSP/COB-AIT here:

http://fosp.anarkio.net/cmanarca/Entrevista_Diego_Gimenez_Moreno.pdf (In portuguese)





quarta-feira, 16 de junho de 2010

[AIR-DF] Carta do líder Carlos Pankararu


Carta de Carlos Pankararu sobre os acontecimentos do dia 12 de junho no AIR.


Infelizmente um grupo de índios aceitou acordo com a Funai. A Funai, como sempre, mentindo que vai abrir Postos e Administrações no Maranhão e Pernambuco, histórias que já conhecemos desde o início do ano, porém nada cumpriu. Esses que foram para os hotéis da Funai não foram enganados, porque esta cena aconteceu em janeiro e em outras épocas também. Onde sempre pediram para os índios voltarem para suas aldeias e abrir postos e administrações, porém nunca realizaram-se, porque o Decreto agora é a nível da Presidência da República e não do presidente da Funai, nem do Ministério da Justiça. Sabemos que eles não vão abrir Postos nem Administrações de forma passiva porque o interesse do governo é com o PAC e todos nós sabemos que o Decreto 7.056 é a porta aberta para o desenvolvimento do PAC em terras indígenas. Se, por um acaso, eles abrirem Pernambuco e Maranhão eles são obrigados a abrir todos os Postos e Administrações do Brasil, porque os direitos são iguais e eles sabem disso. Existem vários projetos governamentais tramitando no Congresso Nacional para serem concluídos em terras indígenas. Vamos citar alguns deles: hidrelétricas, mineração, rodovias, sequestro de carbono, isto sem consultar as comunidades indígenas, assim como fizeram para aprovar o Decreto 7.056. Por este motivo, eu, Carlos Pankararu, junto com alguns guerreiros como Kretan Kaingang, cacique Valdir Kaingang, cacique Valdete Krahô, Korubo, Lúcia Munduruku, Adriano Karipuna e mais alguns, ingressamos nessa luta desde janeiro, na esperança de uma nova política indígena onde nossos direitos fossem prevalecidos e fazessemos que esses governantes nos respeitassem de forma como manda a Constituição Brasileira e as leis internacionais. Não somos contra o progresso, mas somos contra a forma que querem fazer as negociações injustas, quase comparada à um assalto a mão armada.

Eu e o grupo que ficamos na resistência estamos tristes e chateados com a covarde atitude dos nossos parentes, porque não era esse o nosso plano. O nosso plano é revogar o Decreto ou no mínimo, negociar pontos que prejudicam a população indígena brasileira. E também exonerar o presidente da Funai por estar violando os nossos direitos. O assessor do Presidente da República, Paulo, ex-funcionário do CIMI, se retirou logo após a miha chegada, basicamente 11 horas da manhã de sábado. Eu pedi para que ele conversasse comigo, mas ele saiu andando com medo por ser um covarde e dizendo em alta voz que eu estava usando o povo. Dizendo que eu morava em Brasília, respondi que moro em Brasília ou em qualquer lugar do Brasil. O livre arbítrio do ser humano também está na Constituição Brasileira e na Bíblia Sagrada. Eu estou aqui lutando pela minha mãe, meus irmãos, meus tios, meus primos, por todos Pankararu e índios do Brasil e pelos meus direitos, pois sou um Pankararu, não fiz transfusão de sangue nem deixei de ser Pankararu apenas por estar em Brasília, posso voltar à aldeia quando quiser, por isso fico aqui e lá. Tenho certeza de que o Paulo também não é filho de Brasília, como o Lula, que não é de Brasília nem paulista, é de Pernambuco, e quem fala alguma coisa por ele ser pernambucano? Gostaria que ele me provasse quanto ele ou o Presidente Lula ou o ministro da Justiça já me pagou para que eu formasse esse movimento. O Aluizio, diretor da Assistência também estava com o Paulo negociando a desmobilização, mas não me preocupo, as denúncias estão em todas as áreas da Justiça. Além das OABs dos estados do Paraná, de Tocantins e outros estados. O Acampamento Revolucionário entrou com ação na OAB nacional. Além do mais, temos 5 projetos de revogação por 5 deputados federais. Temos também ações no Senado Federal, estou acreditando na mudança mesmo com esta situação. Porque muitos índios estão chegando nessa semana do Nordeste, do Sul e do Centro-Oeste. Não falo o nome das etnias, para evitar ação dos manipuladores. O Acampamento vai continuar porque não está lutando apenas por Pernambuco ou Maranhão, mas sim por todos os índios do Brasil. Estou aguardando o líder Arão da Providência Guajajara e Kretan Kaingang para decidirmos como vamos agir de agora em diante. São essas as minhas palavras! E viva a Resistência Indígena! E que Tupã o abençoe todos.