Anarquimo

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Anarquista sul-coreano é condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência‏

Jihwan Ahn
O jovem anarquista sul-coreano Jihwan Ahn foi condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência em 17 de fevereiro passado, em Seul. Ele está atualmente encarcerado na prisão de Youngdengpo e deverá será libertado em 16 de agosto de 2012. Jihwan recebeu 18 meses de prisão por suas crenças e sua rejeição ao serviço militar. 
 
Em sua declaração, ele afirma:
 
Não vejo razões – seja num sentido legal ou mesmo moral – para explicar a vocês qual o meu critério de consciência, e a história de como esse foi alcançado, ou da veracidade dessa consciência, enquanto eu declaro que me recuso ao serviço militar, de acordo com minha própria consciência. Não estou alegando isso de uma maneira infantil, mas essa é mesmo a minha convicção. Então, eu gosto de subir uma montanha pela manhã, ou de ir à praia quando está chovendo, tirar uma soneca depois do almoço, e colher flores do campo e colocá-las num vaso em minha sala – todas essas coisas você pode fazer livremente, sem permissão. Para mim, não prestar o serviço militar é assim também – uma questão de liberdade individual. Se alguém tenta tirar essa liberdade de mim, é esse alguém que deve explicar por que faz isso. Não sou eu que tenho que explicar porque me sinto feliz quando eu colho uma flor, ou culpado por fazer isso, e todas as outras mudanças emocionais e demais razões de o porque eu gosto de colocar flores em um vaso quando eu as pegar”.
 
Hoje, o problema principal é que depois da minha declaração, o processo legal vai começar. Primeiramente, é um problema pedir a alguém que é declaradamente consciente, que prove a sua consciência; e segundo, há o problema que não houveram debates o suficientes para entender o porque do estado-nação (ou melhor, a comunidade) está tirando a liberdade de alguém. Essa é basicamente uma questão de violência por parte do estado-nação”.
 
Embora a Coréia do Sul tenha sido repetidamente lembrada pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU de que deveria reconhecer o direito da objeção consciente – tanto através das Observações Conclusivas ao estado, assim como em sua jurisprudência no caso do objetores conscientes da Coréia do Sul – isso não tem sido feito. Um projeto do governo anterior para introduzir o direito da objeção consciente foi derrubado pelo governo atual.
 
Em novembro de 2010, 965 objetores conscientes estavam cumprindo sentenças nas prisões, de geralmente 18 meses. Atualmente, um dos casos das Observações Conclusivas que teve apelo junto à Corte Constitucional está pendente. Não obstante, as cortes continuam a mandar os objetores para a prisão.
 
Cartas de apoio ao objetor de consciência Jiwahn Ahn podem ser enviadas para este endereço:

Jihwan Ahn
2568
P. O. Box 164
Geumcheon-gu
Seul, República da Coréia
153-600 
 
Tradução > Filipe Ferrari
 
agência de notícias anarquistas-ana

A FORA comemorou 110 anos com casa cheia

No Teatro Verdi via-se penduradas as bandeiras vermelhas e pretas que enfeitavam os palcos e meio milhar de pessoas encheram a sala localizada no coração de La Boca. Poderia se referir a uma imagem tirada de outra época, quando congressos dos trabalhadores eram freqüentes no bairro de Buenos Aires. No entanto, o aniversário da Federação Obreira Regional Argentina, que completou, no último dia 25 de maio, 110 anos de existência, longe de ser um ato de evocação nostálgica de gloriosos tempos, foi um ato de reivindicação do ressurgimento do sindicalismo revolucionário.
 
Por mais de quatro horas, os mais de 500 trabalhadores vindos de diferentes partes do país, revisaram a história da organização e analisaram a perspectiva de luta atual. Nesta época, as práticas foristas encontram vigor e legitimidade na causa da ditadura sindical da CGT, corporativista e subserviente ao interesses dos empregadores, que cada vez mais se distancia de ser a resposta que esperam os trabalhadores.
 
Pelo palco do teatro foram passando diferentes atores do passado e presente da FORA, que abordaram diferentes posições-chave que levaram a esta organização secular a escrever as páginas mais brilhantes do movimento operário argentino. Além disso, realizou-se uma análise das perspectivas de ação que se abrem após importante processo de reestruturação realizado pelas novas gerações que conseguiram reposicionar novamente a FORA como um forte instrumento que os trabalhadores têm para conseguir sua emancipação.
 
O evento, que também contou com a presença de Carlos Marín, militante da CNT (Espanha) e delegado da Associação Internacional Trabalhadores (AIT), reuniu membros de todas as sociedades de resistência da Federação, bem como coletivos anarquistas afins, que mostraram seu apoio a uma organização gremial, que não só pode se orgulhar de ser a única remanescente fiel à sua ideologia, e que fortemente começa a renascer na Argentina.
 
Assessoria de Imprensa - Conselho Federal Fora (foracf@fora-ait.com.ar
 
Quinta-feira, 26 de maio de 2011
 
agência de notícias anarquistas-ana

Documental/Documentary - Rage Against The Machine - The Battle Of Mexico City

domingo, 29 de maio de 2011

Unesco considera arquivos da ditadura militar como patrimônio da humanidade



Arquivos da ditadura militar brasileira agora fazem parte da “memória do mundo”. Essa é a segunda vez que um projeto brasileiro é aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), tornando-se patrimônio da humanidade.
O projeto apresentado pelo Brasil “Rede de informações e Contrainformação do Regime Militar no Brasil (1964-1985)” foi aprovado pelo Comitê Consultivo Internacional do Programa Memória do Mundo (MoW – Memory of the World), numa reunião ocorrida em Manchester (Reino Unido), no período de 22 a 25 de maio.

Criado pela Unesco em 1992, o programa tem como objetivo preservar e difundir amplamente documentos, arquivos e bibliotecas de grande valor mundial, buscando impedir, assim, que o patrimônio da humanidade seja esquecido.
A candidatura brasileira ao Memória do Mundo incorporou acervos de fundos de órgãos centrais do Serviço Nacional de Informação (Sisni), sob a guarda do Arquivo Nacional, e de órgãos de informação dos estados da Federação, estes custodiados por arquivos estaduais ou por outras entidades parceiras do Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985) - Memórias Reveladas.

O Memórias Reveladas foi criado em 2009, e sua gestão foi confiada ao Arquivo Nacional. O centro conta hoje com 55 instituições e entidades parceiras, incluindo diversos governos e arquivos estaduais, universidades e centros de documentação, e tem por objetivo atuar como um pólo difusor de informações contidas nos registros documentais sobre as lutas políticas no Brasil nas décadas de 1960 a 1980.

A vitória da candidatura do Brasil garante visibilidade mundial a esses importantes acervos, contribuindo para a sua preservação na medida em que chama a atenção do poder público e da sociedade brasileira para a necessidade de proteger e tornar disponíveis para consulta os arquivos do período do regime militar.

Diego Rabelo - 8760-8438
Diretor JPT- Bahia


Coletivo O Estopim!"Incendiando corações e mentes"  



Por:
Viviane da Silva Santos
Graduanda em Museologia
             UFBA

sexta-feira, 27 de maio de 2011

[Grécia] Anarquista é ferido e detido após trocar tiros com a polícia em Pefki, Atenas

[Na noite da quarta-feira passada, 18 de maio, um carro da polícia tentou fazer uma blitz “aleatória” em dois anarquistas que estavam próximos a uma motocicleta na área de Pefki, em Atenas. Os dois decidiram não ficar e saíram fora, os policiais correram atrás deles e após uma perseguição curta, os dois anarquistas trocaram tiros com os agentes de segurança, ferindo dois. Mas, infelizmente, o jovem anarquista de 21 anos, Theofilos Mavropoulos (originalmente ele deu um nome falso, mas depois que a mídia e os policiais colocaram sua foto em todos os lugares ele foi identificado), também saiu ferido pelas balas dos policiais e foi preso. O outro anarquista conseguiu fugir depois de roubar a viatura da polícia, abandonando-a alguns quilômetros depois. Theofilos está agora hospitalizado, com a polícia antiterrorista em sua sala e fora dela.]
 
Comunicado dos companheiros de Theofilos Mavropoulos 
 
O anarquista revolucionário, nosso companheiro Theofilos Mavropoulos, está ferido no hospital, após um tiroteio com os malditos trastes da polícia na área de Pefki. Lá, junto com mais um companheiro, optaram por não ceder quando um carro patrulha tentou identificá-los. Durante o confronto, dois policiais foram feridos, mas também nosso companheiro. Ao mesmo tempo, o outro companheiro que estava ali conseguiu escapar usando a viatura da polícia. 
 
Theofilos é um membro ativo do movimento anarquista revolucionário e, portanto, chamamos todos os anarco-revolucionários, como toda a gente que se vê como parte de um amplo âmbito subversivo, a tomar a iniciativa de ação, com todos os meios julgados como adequados e indispensáveis, para estar ao seu lado. Neste momento o nosso irmão encontra-se ferido e trancado em um quarto vigiado pela polícia. Consideramos como algo mais importante a realização de uma concentração em frente ao hospital, onde está nosso companheiro ferido, a fim de quebrar a condição de isolamento imposta a ele e que o deixa preso aos vermes da [polícia] antiterrorista e outros serviços que estão a "cuidar" da única maneira que sabem. Por causa das dificuldades que têm a ver com o regime que estamos e com a condição na qual agimos e nos movemos; infelizmente não podemos estar ao seu lado (ou seja, no hospital), e assim poder dar força e coragem para o nosso orgulhoso companheiro. 
 
Temos que mostrar ao inimigo que nenhum companheiro não está sozinho, que a prisão de cada companheiro não ficará sem resposta, que nenhum companheiro nosso pode ser comido vivo. Porque o companheirismo e solidariedade não se definem segundo salários e cargos, e é a base para as relações que desenvolvemos e propomos, como alternativa contra as podres relações sociais dominantes. Não vemos a prisão de Theofilos à luz de uma "alta divulgação" e a asquerosa vitimização, que permite protestar contra os "maus" policiais que atiraram e feriram nosso companheiro. Aliás, à luz de tal lógica a solidariedade perde o seu sentido essencial. A postura orgulhosa do companheiro e seus valores entraram em confronto com a renúncia e rendição. Mostraram que o conflito e a guerra não têm mártires, nem aqueles que a adoram, mas alguns combatentes preparados para tudo. O tesouro que resta se torna uma arma nas mãos de todos nós. 
 
Ao lado do anarquista revolucionário Theofilos Mavropoulos! Luta pela liberdade com cada meio! 
 
PS: Igualmente, queremos enviar ao nosso companheiro um agradecimento sincero, pelas lutas que fizemos juntos, por todas as decepções e contratempos que enfrentamos, por tudo de bom e mau. Finalizando, enviamos nossa promessa referente aos compromissos informais que foram feitos, dos sonhos não realizados e os exageros. Por tudo e por nada. Agora, irmão, pode mudar a condição sob a qual você irá viver, mas não altere o estado não arrependido do seu espírito.

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agência de notícias anarquistas-ana