Anarquimo

domingo, 11 de setembro de 2011

MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA COLETIVO DE PARALISAÇÃO DOS ESTUDANTES

Foto: Luis Antonio
O referido Coletivo expressa, através desta carta, os pontos gerais que abrangem nossas diversas reivindicações. Em tempo, apresentamos os extratos de dois importantes documentos que reforçam o nosso ideal de uma educação pública e de qualidade, e também denunciam falhas na gestão desta Universidade para com os pontos expostos.

Extrato do Plano de Desenvolvimento Institucional 2010-2014 da UFRB, página 25: “(...) a educação é tomada como uma prática social e política, realizada no âmbito das relações sócio-histórico-culturais, objetivando formar pessoas com competência técnica e política, humanizadas, éticas, críticas e comprometidas com a qualidade de vida dos cidadãos. Pessoas que pensem e reflitam sobre o mundo, o contexto social e assumam o papel de protagonistas em processos de transformação social.”

Extrato da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu artigo 43, que trata das finalidades da educação superior:

I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.
Pautas Internas
1. Construir e concluir as obras estruturais dos Campus, já previstas e as demais necessárias, a fim de garantir a qualidade e o bom funcionamento dos cursos, atentando para o princípio da acessibilidade.
2. Garantir as condições necessárias para a concretização da formação integral dos estudantes (graduandos e pós-graduandos), tanto no que se refere aos aspectos específicos de cada curso, a exemplo das terminalidades, como, também, a realização das atividades relativas às aulas práticas, aos laboratórios e aos campos de estágio.
3. Assegurar as condições necessárias relativas à manutenção hidráulica, elétrica, de acesso às questões sanitárias, ambientais e de segurança nos Campus.
4. Melhorar as condições que garantam a qualidade e a paridade no que se refere a recursos materiais e humanos, bem como de reconhecimento, nas ações de extensão, ensino e pesquisa em todos os Campus.
5. Reforma e ampliação do Restaurante Universitário (R.U.) do Campus de Cruz das Almas; construção dos R.U’s de Santo Antônio de Jesus, Amargosa e Cachoeira, com administração, exclusivamente pública, assegurando o modelo de Restaurante Popular de qualidade e socialmente referenciada, para o atendimento à comunidade acadêmica e ao público externo, garantindo a gratuidade aos assistidos pelo Programa de Permanência Qualificada (PPQ).
6. Construção de Creches Universitárias em todos os Campus.
7. Assegurar, por meio de ações efetivas, assistência estudantil, no que se refere à ampliação da moradia estudantil, transporte, assistência à saúde, apoio pedagógico, didático e psicossocial; assim como o aumento do número disponibilizado ao PPQ e facilitação do acesso ao auxílio emergencial.
8. Controle social, transparência e gestão participativa nas ações da Universidade e a garantia da autonomia e isonomia entre os Centros.
9. Descentralização do Sistema de Bibliotecas, criação do Sistema Alternativo de Empréstimos e aumento do acervo bibliográfico e audiovisual, com acesso total ao acervo pela comunidade acadêmica e sociedade civil, durante todo o ano.
10. Implantação da TV e radio Universitária, para a troca de experiências entre as comunidades acadêmicas, em parceria com o Sistema IRDEB.
11. Construção dos espaços de convivência em todos os Campus e cessão do atual prédio do CCAAB para o Movimento Estudantil, bem como garantir estrutura de funcionamento dos Diretórios, Centros e Coletivos Acadêmicos.
12. Contratação imediata de mais professores pelo regime jurídico único, com Dedicação Exclusiva, para atender às necessidades de todos os cursos da UFRB, assim como de servidores técnico-administrativos, de forma a permitir o funcionamento da Universidade em turnos contínuos.
13. Viabilizar e destinar recursos específicos para atividades autogestionadas pelos estudantes.
14. Garantir transporte itinerante entre os campus, a fim de assegurar o atendimento às necessidades de mobilidade acadêmica intrainstitucional.
Pautas Gerais (Nacionais e Internacionais)
1. Pelos 10% do PIB nacional para Educação, já.
2. Fim das Parcerias Público-Privadas (PPPs).
3. Pelos 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, saúde e cultura, já!!!
4. Pela não privatização dos Hospitais Universitários.
5. Apoio à luta nacional aos trabalhadores da educação.
6. Apoio @os companheir@s estudantes que tem realizado mobilizações em todo o país, em defesa da educação de qualidade.
7. Apoio à luta estudantil chilena.

Coletivo de Paralisação dos Estudantes
11 de setembro de 2011.
 

sábado, 10 de setembro de 2011

Assembléia Geral Estudantil, 1º de setembro de 2011.

 

Assembléia Geral dos Estudantes da UFRB aprova por maioria esmagadora a Paralização Geral de todas as atividades da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia com ocupação da Reitoria e demais Campus de aulas.

MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA COLETIVO DE PARALISAÇÃO DOS ESTUDANTES

Foto: Luis Antônio
É mister salientar que a referida deliberação da Assembléia Geral dos Estudantes da UFRB, se caracteriza como resposta consciente ao ciclo de descasos da Administração Central desta Universidade para conosco (estudantes) e como ação do Movimento Estudantil em repúdio aos duros golpes deferidos (pela Administração Central) contra os direitos estudantis e a qualidade do ensino superior. Em tempo, salientamos que foram diversas as nossas tentativas e intervenções para que as problemáticas que ameaçavam a condução das atividades básicas desta Universidade não comprometessem, ao extremo, seu funcionamento e o respeito às necessidades da classe estudantil.

Uma das últimas tentativas de discussão e de resolução das questões pautadas pelo Movimento Estudantil ocorreu no dia 10 de junho deste ano durante uma Reunião do Conselho de Entidades de Base da UFRB (CEB), na qual o reitor Paulo Gabriel Soledade Nacif nos apresentou, mais uma vez, seus discursos evasivos e, nos comprovou (através da quebra de compromissos firmados) o seu desdém para com os estudantes. O expresso descaso da Administração Central para o trato das questões estudantis é indignante.

Uma das ações determinadas pela Assembléia Geral foi a condução do processo de Ocupação da Reitoria e Centros e, Trancamento dos Pavilhões de Aula, o que foi executado pelos estudantes em mobilização. As aulas se encontram suspensas e se faz necessário lembrar que os problemas estruturais e administrativos são alguns dos pontos que mobilizam tal suspensão.

O movimento estudantil da UFRB possui pautas concretas no que diz respeito às mazelas que acometem a nossa Universidade e o perfil omisso da Administração Central. Seria um ultraje não reconhecer as dificuldades que permeiam e entranham as reais condições acadêmicas ofertadas e a passividade e/ou vagarosidade administrativa na defesa de uma educação de qualidade. A Administração Central vem tentando (através da omissão e deturpação de informações) criar instabilidade na base do Movimento Estudantil e descredibilizá-lo perante a sociedade, o que visualizamos com pesar. Sabemos que esta Universidade teve em sua fase constitutiva a

participação dos movimentos sociais, que propuseram e reivindicaram uma universidade popular, que surgisse compromissada com as demandas da sociedade civil, no entanto, observamos o aparente esquecimento deste compromisso.

Não estamos parados! Paralisamos as atividades na tentativa de rompermos com os perversos vícios da política de gestão universitária que nos impossibilitava de manter um diálogo. Paralisamos as atividades conservadoras de formação (aulas) para criarmos outros espaços que têm como objetivo proporcionar uma reflexão a respeito do atual estado de precariedade no qual se encontra. “Paralisar para Mobilizar!!!”. A UFRB é uma universidade que nasceu sob a tutela do programa de Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). A universidade, desde o seu surgimento, sofre diversos ataques, através de reestruturações que prejudicam a nossa formação. Sua gênese atrelada ao Reuni trouxe uma expansão, mas de forma precária. Sempre seguindo a lógica de se ofertar vagas, sem que seja garantido os recursos necessários para melhorar a qualidade da educação, incentivar a pesquisa e a extensão nas universidades e promover, por meio da assistência estudantil a permanência do estudante. Hoje, a UFRB está concretizada em 04 municípios baianos, somando um total de 32 cursos de graduação regulares e os vinculados ao Plano Nacional de Formação de Professores. A maioria absoluta desses cursos funciona de forma precária, com ausência do básico para garantir uma formação qualificada, a citar: inexistência de laboratórios, contratação de professores efetivos que possam desenvolver pesquisa e extensão, hospital universitário, políticas de estágio, quadras poliesportivas, espaços e materiais para aulas práticas, livros... Em 2008, o movimento estudantil ocupou a reitoria reivindicando melhores condições. E agora, pela segunda vez esse tipo de medida fez-se necessário.

Expressamos, novamente, que tal ação não prejudica as atividades básicas desta Universidade, pelo contrário, nós (estudantes) estamos gritando pela efetividade nas ações vitais, para que não desfaleçamos. A Administração Central tenta induzir à compreensão de que não estamos dispostos ao diálogo (lastimável engodo), nossas tentativas não são recentes e o ambiente de respeito não foi abalado pela ação do Movimento Estudantil, mas sim pelo destrato da Administração desta Universidade.

Coletivo de Paralisação dos Estudantes da UFRB
Cruz das Almas – Bahia, 05 de setembro de 2011.

UFRB - ATO CRUZ DAS ALMAS 8 DE SETEMBRO

domingo, 17 de julho de 2011

Revolução Espanhola: Eles Passaram...


Carlos Baqueiro
(cbaqueiro@terra.com.br)

 Há 75 anos atrás, no mês de julho de 1936, o povo espanhol saia para as ruas, contra um Golpe de Estado executado pelos militares, liderados pelo General Francisco Franco, que era apoiado pela Igreja Católica, parte da burguesia e latifundiários.

O povo, literalmente, sai as ruas de Barcelona, de Valença, de Madrid, liderados principalmente por marxistas, trotskistas e anarquistas. Mas também saiu as ruas nas pequenas aldeias, e vilas. Montavam barricadas e, armados, chegaram a tomar as prefeituras, os quartéis e órgãos públicos, e também as igrejas.

Enquanto as Forças Armadas tomavam a Galícia, e outras as regiões ao norte, e também a Andaluzia, ao sul, aqueles que lutavam contra o Golpe, tentando manter viva a democracia conseguida a muito custo com a queda da Monarquia alguns anos antes, mantinham a Catalunha e a a região de Castela, dentre outras menores.

A "Nova República" tentava sobreviver com apoio de trabalhadores urbanos e camponeses, de parte da burguesia espanhola, e de toda a esquerda. Mas em pouco tempo as alianças que permitiram a resistência contra Franco foram se dissipando. A falta de apoio de países como França e Inglaterra (que talvez tivessem mais medo de uma vitória da esquerda do que dos fascistas, mesmo com a Alemanha e a Itália  apoiando os golpistas sem qualquer ressalva), foi um fator preponderante.

Durante o processo o qual alguns chamam de Guerra Civil e outros de Revolução (dependendo dos desejos ideológicos), a União Soviética, sob o governo de Stalin, resolve enviar armas para a esquerda. Mas direciona as mesmas para o Partido Comunista. O PC inicia assim uma tentativa de tomar a hegemonia da “Revolução”, a partir do poder que conseguiu com as armas mais modernas mandadas por Stalin.

Os fatos começam a tomar rumos absurdamente complexos. Inicia-se uma guerra dentro da guerra. As esquerdas que não recebem armas (anarquistas e trotskistas) se revoltam contra o PC. Ve-se tiroteios entre anarquistas e comunistas nas ruas de Barcelona, pelo poder do edifício dos Correios. Trotskistas são presos em Madrid e levados para Edifícios Prisões criados por aqueles apoiados por Stalin.

A burguesia e a aristocracia espanholas, que se escondiam dentro das cidades ainda republicanas, aparentando uma humilde aceitação da atual condição, com suas roupas velhas e encardidas, como diria George Orwell, em suas lembranças no texto Homenagem a Catalunha, também contra-atacariam tomando as cidades que haviam resistido aos ataques franquistas.

Nas Vilas do interior as Igrejas, que haviam sido tomadas pela população local, e se transformaram em hospitais e escolas, eram retomadas pelos padres e freiras fascistas, que eliminavam facilmente as milícias de esquerda, enfraquecidas com as confusões ideológicas e lutas reais que ocorriam entre os grupos que as formavam.

A “Revolução” foi derrotada. O povo teve de voltar aos seus afazeres comuns. As velhas escravização e alienação. Inclusive indo as Praças logo após a queda do governo eleito democraticamente, para saudar Franco e seus apoiadores, servindo de massa de manobra.

A derrota foi tão humilhante, e a repressão tão feroz após a vitória dos golpistas, que o Generalíssimo Franco ocupou o poder supremo na Espanha até a sua morte, em 1975.

A crise de incompreensão sobre a derrota, os medos pelos conflitos ideológicos entre filhos e pais, entre irmãos e primos, foi tão grande que o historiador Pierre Broué, em Seminário sobre a Guerra Civil Espanhola, ocorrido em Salvador, na década de 90, ainda afirmava haver um receio de pesquisadores espanhóis estudarem sobre os fatos e acontecimentos ocorridos entre 1936 e 1939.

Há poucas semanas atrás estudantes e trabalhadores espanhóis também sairam as ruas e tomaram as praças, pretendendo defender os ganhos que haviam conquistado nessas últimas décadas sem o autoritarismo franquista. Os jornais que li relembravam, fazendo analogias, ao Maio de 1968 francês.

Naquele momento, não vi qualquer referência ao Julho de 1936. Infelizmente.

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Como opção para aqueles que desejam saber um pouco mais sobre a Revolução Espanhola faço duas sugestões:

O livro Espanha Libertária: A Revolução Social Contra o Fascismo.

e

O filme Terra e Liberdade, de Ken Loach.
(não achei nem venda de DVD, nem qualquer local para Download na Internet, portanto dê uma andadazinha até a locadora mais próxima em nome da lembrança de uma história e tanto